Wall Street salta em meio a negociações sobre guerra, mas despenca em março

Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 tiveram piores trimestres desde 2022; Dow Jones teve pior mês desde setembro de 2022

Da CNN Brasil*
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Os principais índices acionários de Wall Street fecharam em alta nesta terça-feira (31), com o mercado mais otimista para uma possível "desescalada" das tensões da guerra no Oriente Médio.

O Dow Jones subiu 2,49%, para 46.341 pontos. O Nasdaq avançou 3,83%, para 21.590 pontos, enquanto o S&P 500 ganhou 2,92%, para 6.528 pontos. Os três índices registraram o melhor dia de negociação desde maio de 2025, quando os investidores reagiram a uma trégua na guerra comercial entre Washington e Pequim.

Em março, o Dow Jones caiu 8%, o pior mês desde setembro de 2022. No trimestre, a queda foi de 6%, também o pior trimestre desde setembro de 2022.

O Nasdaq encerrou o trimestre com queda de 7%, o pior desde o primeiro trimestre de 2022, quando recuou mais de 10%. No mês, a queda foi de 5%, a pior desde março do ano passado.

O S&P 500 caiu 5,1% em março, o pior mês desde março do ano passado. No trimestre, a queda foi de 7,33%, a pior desde junho de 2022.

Na semana passada, o Dow Jones e o Nasdaq chegaram a fechar 10% abaixo das máximas históricas, confirmando uma correção.

O Wall Street Journal noticiou na segunda-feira (30), citando autoridades governamentais, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a assessores que está disposto a encerrar a campanha militar contra o Irã, mesmo que o Estreito de Ormuz permaneça em grande parte fechado, deixando para uma data posterior uma operação complexa para reabri-lo.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou nesta terça-feira (31) que "houve uma mudança de regime" no Irã. “Este novo regime, por ter ocorrido uma mudança de regime, deve ser mais sábio que o anterior”, declarou Hegseth. “O presidente Trump fará um acordo. Ele está disposto, e os termos do acordo são conhecidos por eles”. Mas se o Irã não estiver disposto a acatar esses termos, acrescentou Hegseth, as forças armadas dos EUA "continuarão com ainda mais intensidade".

Ele apontou ainda que os próximos dias na guerra dos EUA e de Israel com o Irã serão decisivos.

Uma notícia de que o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, havia emitido uma declaração afirmando que o Irã está pronto para encerrar a guerra em troca de garantias de segurança também repercutiu no mercado. A mídia estatal confirmou posteriormente a declaração.

Os preços do petróleo dispararam em março, com os futuros do Brent subindo 64% no mês, enquanto o WTI avançou 52%.

Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio fechou em queda de 1,46%, a US$ 101,38 o barril, nesta terça (31). Já o Brent para maio subiu 4,94%, a US$ 118,35 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

A alta do preço do petróleo no último mês decorrente do conflito no Oriente Médio reacendeu as preocupações com a inflação, e operadores do mercado monetário acreditam que o Fed tem maior probabilidade de aumentar as taxas de juros até o final do ano do que reduzi-las, de acordo com a ferramenta FedWatch do CME Group.

Entre outras movimentações do mercado, a Coreweave subiu mais de 12% após garantir um empréstimo de US$ 8,5 bilhões para expandir a infraestrutura de IA.

A Marvell Technology também subiu mais de 12% depois que a Nvidia, com alta de mais de 5%, investiu US$ 2 bilhões na empresa.

As ações da Centessa Pharmaceuticals, negociadas nos EUA, dispararam mais de 44% depois que a Eli Lilly, que subiu mais de 3%, anunciou a compra da empresa em um negócio avaliado em até US$ 7,8 bilhões.

A Unilever anunciou nesta terça-feira (31) que combinará a unidade de alimentos (Unilever Foods) com a McCormick, criando uma nova gigante global do setor avaliada em US$ 65,8 bilhões.

Além disso, o relatório JOLTS de fevereiro mostrou que as vagas de emprego abertas nos EUA caíram para 6,882 milhões, ligeiramente abaixo das estimativas de 6,918 milhões.

*Com informações da CNN Internacional e da Reuters

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