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    Ibovespa fecha em queda de 1,24% com recuo de commodities e à espera de acordo nos EUA; dólar vai a R$ 5,04

    Câmbio atinge máxima em mais de um mês com expectativa de antecipação de corte de juros pelo Banco Central

    IGP-M apelidado de “inflação do aluguel”, caiu 1,84% em maio, após queda de 0,95% em abril
    IGP-M apelidado de “inflação do aluguel”, caiu 1,84% em maio, após queda de 0,95% em abril Foto: Paulo Whitaker/Reuters

    Da CNN

    em São Paulo

    O Ibovespa estendeu o clima negativo para esta terça-feira (30), prejudicado pela queda de empresas expostas à commodities e bancos — setores com maior peso no mercado doméstico.

    O principal destaque do noticiário foi a deflação do Índice Geral de Preços — Mercado (IGP-M), que caiu 1,84% em maio, após queda de 0,95% em abril. Com este resultado, o índice acumula queda de 2,58% no ano e, em 12 meses, 4,47%, informou nesta manhã a Fundação Getulio Vargas (FGV).

    Na cena internacional, as atenções seguem nas negociações entre democratas e republicados para a aprovação do projeto que eleva o teto da dívida. A matéria deve passar pelo seu primeiro teste nesta quarta-feira (31), quando será pautada na Câmara.

    Diante destas pressões, o principal índice da bolsa brasileira encerrou a sessão com queda de 1,24%, aos 108.967 pontos.

    Até a última sexta-feira, o Ibovespa registrou alta em 13 de 17 pregões, somando ganho de quase 9%. No mês, ainda contabiliza uma valorização de 4,5%.

    O dólar voltou a subir e se afastou da marca psicológica de R$ 5. A moeda norte-americana encerrou o dia com valorização de 0,61%, negociada a R$ 5,0423 na venda.

    Esta é a maior cotação desde o dia 26 de abril, quando o câmbio fechou em R$ 5,043.

    Apesar do arrefecimento das tensões nos EUA, o dólar foi impacto pela expectativa de antecipação do corte nos juros no Brasil após dados indicando a desaceleração dos preços.

    Em contrapartida, no exterior a percepção era de que o Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) caminha para manter os juros em patamares mais elevados por mais tempo, em função da inflação.

    Com a queda das taxas no mercado doméstico, investidores migram os ativos para outras praças.

    As empresas com maior peso no Ibovespa fecharam no vermelho diante da aversão ao risco global. As ações da Vale (VALE3) encerraram a sessão com queda de 2,23%. No mesmo segmento, CSN Mineração (CMIN3) perdeu 2,84%.

    A baixa é reflexo da queda do minério de ferro diante das incertezas com a demanda da China, o maior mercado para a commodity. O preço da tonelada do minério em Dalian encerrou a sessão com recuo de 0,28%, a US$ 102,36.

    Os papéis da Petrobras também tiveram um dia de baixa, com os preferenciais (PETR4) encerrando com perdas de 1,12%, e os ordinários (PETR3) com redução de 0,94%.

    Outras petrolíferas também tiveram perdas significativas. A PRIO (PRIO3) e a 3R Petroleum (RRRP3) figuraram entre as maiores baixas do Ibovespa, com desvalorização de 2,82% e 2,42%, respectivamente.

    As baixas seguem a esteira da desvalorização do petróleo no mercado global. O barril do tipo Brent, usado como referência na maior parte do globo, teve baixa de 4,6%, a US$ 73,54.

    Deflação reforça expectativa por corte dos juros

    A deflação do IGP-M, conhecido como inflação do aluguel, reforçou as expectativas para a antecipação do corte dos juros pelo Banco Central (BC), atualmente em 13,75% ao ano.

    Na semana passada, dados da prévia da inflação oficial de maio já haviam ampliado os debates para a redução da Selic.

    Nesta segunda, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que os núcleos de inflação estão, em média, arrefecendo, embora mais lentamente do que o esperado, e o Brasil entrou em uma janela temporal agora na qual esse movimento de queda deve continuar.

    Para ele, os núcleos de inflação, medidas que descartam segmentos mais voláteis em busca de uma tendência nos preços, estão se mostrando globalmente mais altos em comparação às metas de inflação.

    Exterior

    No exterior, o mercado segue repercutindo um acordo para elevar o teto da dívida dos Estados Unidos, embora persistam dúvidas sobre a tramitação do texto no Congresso norte-americano.

    Segundo alguns participantes do mercado, o alívio após um calote do governo dos Estados Unidos ter sido possivelmente evitado dava lugar a temores de que o acordo sobre a dívida enfrentará uma trajetória complicada no Congresso. Uma série de parlamentares republicanos de linha dura disse na segunda-feira que vai se opor ao projeto de lei.

    Matheus Pizzani, economista da CM Capital, disse que, embora haja alguma dissipação dos temores sobre a dívida que vinham impulsionando o dólar nas últimas semanas, a percepção sobre a condução da política monetária nas principais economias impede que o alívio afete de forma significativa os mercados emergentes.

    Entre outros exemplos, ele citou a possibilidade crescente de que o Federal Reserve não encerre seu ciclo de aperto monetário em seu encontro de 13 e 14 de junho, como era precificado pouco tempo atrás.

    “O que a gente vê é o Fed muito comprometido com o patamar de 2% (de inflação), que ainda está muito distante; você tem vários indicadores de que, se não mantiverem uma postura rígida, não conseguirão levar a inflação para a meta”, avaliou Pizzani, que vê grandes chances de o banco central norte-americano pausar o aperto monetário na próxima reunião para avaliar o estado da economia e, depois, no encontro seguinte, voltar a subir os juros.

    Quanto mais altos os juros nos EUA, mais o dólar tende a se beneficiar globalmente do redirecionamento de recursos para o mercado de renda fixa da maior economia do mundo.

    Ao mesmo tempo, disse Pizzani, sinais de arrefecimento da inflação e retração do crédito no Brasil têm reforçado expectativas de que o Banco Central reduzirá a taxa Selic a partir do segundo semestre deste ano, o que “acaba não beneficiando tanto o real”, uma vez que implicaria rendimentos menores oferecidos pelos ativos locais.

    *Publicado por Pedro Zanatta e Gabriel Bosa, da CNN, com informações da Reuters.