Inadimplência atinge mais de 9,1 milhões de empresas no país e bate recorde

CPNJs acumulam mais de sete dívidas em atraso e valores somam R$ 232 bilhões, segundo dados da Serasa Experian

Manuela Miniguini, da CNN Brasil
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Mais de 9,1 milhões de CNPJs (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) estão inadimplentes em junho de 2026, com dívidas acumuladas que chegam a R$ 232,9 bilhões em volume financeiro.

O número é 16,67% maior do que o registrado no mesmo mês de 2025 e recorde na série histórica iniciada em 2016.

Os dados são do último levantamento da Serasa Experian, e mostram que, em média, cada CNPJ possui uma dívida de R$ 25.508,96, com ticket médio de R$ 3.515,77 e acumulo de 7,3 contas em atraso.

Somente no mês de junho, as dívidas chegam a 66,2 milhões, quase 10 milhões a mais do que o mesmo período do ano anterior, e avanço de quase 1 milhão perante o mês de maio.

Do total de empresas, quantidade expressiva faz parte do grupo de micro e pequenas empresas. Em junho, 8,6 milhões desses CNPJs estavam negativados. O grupo concentrou 59,7 milhões de dívidas, que somaram R$ 201,4 bilhões.

Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,9 contas inadimplidas, com dívida média de R$ 23.181,56 e ticket médio de R$ 3.370,47.

Ainda, a maioria das 9,1 milhões de empresas estão situadas em São Paulo (3.126.658), seguido por Minas Gerais (907.558) e Rio de Janeiro (874.385). Na sequência, aparecem Paraná (601.986) e Rio Grande do Sul (527.555).

Segundo a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a crescente inadimplência pode estar relacionada às condições financeiras restritivas, pressionadas pela alta taxa de juros, que hoje está em 14%. O fator ainda é limitante para a melhora consistente do mercado de crédito.

"Ao mesmo tempo, a atividade econômica começa a apresentar uma desaceleração mais evidente, reduzindo o ritmo de geração de receita das empresas justamente em um momento em que muitas ainda enfrentam dificuldades para reorganizar seus passivos e recompor o fluxo de caixa”, afirma.

Das empresas analisadas, 55,7% pertencial ao setor de "Serviços", enquanto os segmentos de “Comércio” (32,2%), “Indústria” (8,0%) e “Primário” (0,9%) aparecem em seguida.

Os dados mostram ainda que a composição da dívida é formada principalmente pela necessidade de financiamento da própria operação, o que, em um ambiente de crédito caro e restritivo, torna o cenário de administração de obrigações financeiras complexo.

Desde junho de 2025, os Bancos e Cartões continuam sendo parte relevante do setor da dívida - ocupando 19,5% da composição. Na sequência apareceram Cooperativas (8,4%), Utilities (6,9%) e Telefonia (6,0%). Serviços, por sua vez, ainda é o que mais pesa para inadimplência, com 31,6%.

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