Dólar recua a R$ 5,45 com Midterms e espera por Copom; Ibovespa sobe

Índice de referência busca trégua após seis pregões seguidos de baixa enquanto moeda americana tem baixa mundialmente em meio às midterms nos Estados Unidos

Manuela Miniguini, da CNN Brasil*, em São Paulo

A bolsa paulista encerrou uma sequência de seis dias em queda nesta quarta-feira (4), com investidores repercutindo balanços corporativos, entre eles do Itaú Unibanco, enquanto aguardam a decisão de juros do Banco Central no final do dia.

O mercado mundo afora também repercute a vitória do partido democrata nos Estados Unidos nas eleições de meio mandato. A "onda azul" já conquistou a maioria do senado, congresso e governos estaduais, mesmo com algumas cadeiras ainda aguardando definição.

O Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subiu 1,23%, aos 167.563,47 pontos.

Já o dólar fechou em queda contra o real, diante do resultado das Midterms, ao mesmo tempo em que os investidores se preparam para o anúncio da decisão de juros após o fechamento do mercado.

O dólar à vista fechou em queda de 0,64%, a R$ 5,4511 na venda.

Na terça-feira, o dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,74%, aos R$ 5,4863.

Otimismo com eleições nos EUA e expectativa para Copom

Na contramão do dólar, as bolsas americanas parecem se alegrar com o resultado nos EUA. O índice de Dow Jones subiu 3,03%, enquanto o S&P 500 registrou alta de 1,58%. Já o indicador Nasdaq Composite valorizou 1,44%.

Na Câmara, serão 235 democratas contra 143 republicanos - com ainda 57 cadeiras aguardando definição. Por fim, os democratas também conquistaram a maioria dos governos estaduais, com 28 cadeiras contra 20 até o momento. 

"O desfecho confirma as pesquisas que vinham apontando baixa aprovação do governo Trump, em meio às instabilidades geradas desde o início de seu segundo mandato, que incluem medidas tarifárias e os impactos da guerra contra o Irã nos preços dos combustíveis", diz Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, em nota.

Quanto ao Copom, entre 75 casas consultadas pelo Projeções Broadcast, 39 preveem novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic, para 13,50%, hoje; enquanto outras 36 instituições estimam manutenção da taxa nos atuais 13,75% ao ano.

"A deterioração das condições financeiras, a depreciação cambial e a piora das expectativas de inflação elevaram as apostas de manutenção da Selic em 13,75%, interrompendo temporariamente o ciclo de cortes", diz em nota Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.

Por outro lado, Mendes, da Manchester, acredita que a alta do Ibovespa é vista mais como uma compra técnica dentro de um cenário de baixa.

"Se a política do PT, pregada nas eleições, prevalecer no Lula 4, é Bolsa para baixo. A notícia dos Estados Unidos de hoje não é capaz de mudar a dinâmica da dívida pública brasileira", afirma o economista.

Balanços e commodities moldam humores

Acionistas ainda reagem aos balanços, sobretudo, do Itaú Unibanco. O banco apurou lucro líquido recorrente ​de R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre, alta de 6,2% em relação ao mesmo período de 2025 - resultado em linha com as expectativas. 

Nesse contexto, as ações do Itaú puxaram parte do Ibovespa ao avançarem 3%.

Nesta quarta, após o fechamento de mercado, divulgam ainda seus resultados trimestrais Axia, C&A, Prio, Smartfit, Tenda, Totvs e Vibra.

Entre os papéis de peso, a Vale também sustentou a alta do índice. A mineradora subiu mais de 3%, com ações cotadas a R$ 62, após o minério de ferro encerrar em alta na sessão em Dalian, na China.

O contrato mais negociado fechou o pregão diurno com alta de 1,56%, a 682 iuanes (US$ 102,01) por tonelada, após uma queda de 0,7% na terça-feira. Mais cedo, o contrato atingiu sua maior cotação desde 29 de outubro, a 685 iuanes.

Na outra ponta, as ações da Petrobras cederam mais de 7%. A baixa é influenciada pela queda do petróleo mundialmente. O Brent fechou em queda de 8,66%, a US$ 94,62 o barril - a menor cotação em praticamente dois meses.

*Com informações da Reuters e Agência Estado

 

Acompanhe Economia nas Redes Sociais