Ibovespa cai quase 1% na semana e dólar acumula alta de 0,74%, a R$ 5,18

IPCA-15 mostrou aumento de preços em 0,7% em setembro, acima das expectativas médias do mercado

Manuela Miniguini e João Nakamura, da CNN Brasil, em São Paulo
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O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira (25), após os dados do IPCA-15 - índice conhecido como a prévia da inflação no Brasil - indicarem alta de preços acima do esperado pelo mercado em setembro.

O índice fechou o dia em baixa de 0,27%, aos 183.476,86 pontos, acumulando queda de 0,94% na semana. Mais cedo, o indicador chegou a tocar os 182 mil pontos, o menor patamar do índice das últimas três semanas, quando o Ibovespa cedeu ao patamar de 179 mil pontos.

"O principal índice da bolsa brasileira foi fortemente pressionado por um cenário externo desafiador para os chamados ativos de risco, marcado sobretudo pela elevação nos rendimentos dos títulos do tesouro americano, os Treasuries, pelo IPCA-15 vindo acima do esperado pelo mercado e pela alta consistente nos preços do petróleo no mercado internacional, que seguem em patamares acima de US$96", explica Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.

"Esse ambiente global de juros mais altos nos Estados Unidos, inflação nos holofotes e commodities valorizadas acabou afastando os investidores de mercados emergentes ao longo do dia, o que ofuscou o noticiário corporativo interno e ditou o ritmo de perdas na B3."

O dólar fechou em baixa de 0,19%, a R$ 5,1834, na esteira da queda da divisa no exterior. Por outro lado, acumulou alta de 0,74% na semana.

Prévia da inflação e preocupação com juros

A inflação no Brasil faz preço nas ações, já que os novos dados do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) evidenciaram uma aceleração de 0,7%, sobre baixa de 0,4% na divulgação anterior.

Pesquisa da Reuters com economistas estimava alta de 0,53% para o período. A alta foi puxada, principalmente, pelos preços da energia elétrica.

"O IPCA-15 veio levemente acima, principalmente por causa do fim do bônus de Itaipu, o que segurou o IPCA nos últimos meses. Com o fim do bônus, tivemos uma alta de 2,07% no grupo de habitação, por causa de uma alta de 7,42% na energia elétrica residencial", afirma Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital.

O aumento dos preços preocupa o mercado sobre a trajetória dos juros, podendo influenciar as próximas decisões do Banco Central.

"O resultado reforça a cautela necessária em relação à convergência da inflação e valida a postura vigilante da política monetária", afirmou Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos.

Commodities afetam papéis importantes

Na outra ponta, a queda do petróleo depois de sessões em firme alta derrubam as ações da Petrobras e demais petroleiras. As ações preferenciais e ordinárias da empresa fecharam o dia em queda de 2,58% e 2%, respectivamente.

Na véspera, o petróleo fechou em alta de 3%, estendendo os ganhos da sessão anterior, em meio à falta de clareza sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito e a consequente liberação da navegação no Estreito de Ormuz.

Nesta sexta, o petróleo Brent para dezembro, negociado na ICE (Intercontinental Exchange de Londres), fechou em baixa de 2,77% (US$ 2,78), a US$ 97,44 o barril. Já o petróleo WTI para novembro caiu 2,33% (US$ 2,20), a US$ 92,41 o barril, na Nymex. O Brent e o WTI cederam 6,19% e 3,82%, respectivamente, na semana.

Enquanto isso, a mineradora Vale subiu 0,16%, após o minério de ferro encerrar a semana praticamente estável em Dalian, na China.

O contrato de minério de ferro para janeiro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) na China subiu 0,07%, a 712 iuanes (US$106,18) por tonelada. Na semana passada, ele despencou quase 1%.

*Com informações da Reuters 

 

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