Ibovespa fecha estável e interrompe série de 11 altas seguidas; dólar cede

Índice alcançou o patamar de 188 mil pontos na máxima do dia, mas perdeu força ancorado por ações da Vale e Petrobras

Manuela Miniguini e Beatriz Oliveira, da CNN Brasil, em São Paulo
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O Ibovespa fechou praticamente estável nesta quinta-feira (3) após uma série de 11 altas, pressionado por movimentos de realização de lucros após o índice se aproximar dos 189 mil pontos.

O principal índice do mercado acionário brasileiro encerrou a sessão com queda de 0,01%, aos 185.195,42 pontos, segundo dados preliminares.

Na máxima do dia, o Ibovespa chegou a 188.891,50 pontos, alta de 1,99%. O ímpeto, porém, perdeu força ao longo da sessão, principalmente diante da pressão sobre ações da Vale e da Petrobras. Na mínima, o índice atingiu 184.718,36 pontos.

No mercado de câmbio, o dólar também se aproximou da estabilidade e encerrou acima dos R$ 5,10, após oscilar perto dos R$ 5,07 no início da sessão. O movimento foi influenciado por compras da moeda por parte de investidores que aproveitaram as cotações mais baixas, enquanto, no exterior, a divisa norte-americana registrou queda.

O dólar à vista fechou em baixa de 0,04%, a R$ 5,1043. Com o resultado, a moeda passou a acumular queda de 7,01% no ano. Na sessão anterior, o dólar à vista havia recuado 0,91%, aos R$ 5,1065.

Já nas ações de peso do mercado brasileiro, a Vale caiu 2,91%, cotada a R$ 78,45 por ação. A empresa segue o movimento contrário do minério de ferro em Dalian, na China.

Os papéis preferenciais da Petrobras, por sua vez, cederam mais de 1,30%, cotados a R$ 47,56.

Os contratos futuros da commodity subiram 2,17%, para US$ 99,40 por tonelada, influenciados pelos sinais de alívio nas restrições ao fornecimento de carvão de coque e uma retomada na atividade dos altos-fornos, o que aponta por uma melhora na demanda das siderúrgicas.

O resultado no pregão reflete o ritmo do petróleo no exterior. Os preços do Brent cedem na tarde desta quinta-feira (3).

Investidores seguem apreensivos após os EUA e Irã trocarem a maior série de ataques desde julho, mas as tensões parecem não ter força sobre os barris. 

Durante a tarde, a commodity do tipo Brent cedia entre 0,43%, a US$ 95,30, enquanto a comercializada na Nymex, WTI, subia 0,10%, a US$ 91,10.

Em alta, mas sem grandes indicadores para puxar as ações, o Itaú Unibanco tenta sustentar o Ibovespa nesta quinta. Há pouco, a empresa do setor financeiro subia cerca de 0,92%, cotada a R$ 41,78.

Agenda econômica

A nova pesquisa Datafolha sobre o cenário eleitoral deve concentrar as atenções nesta quinta-feira, a partir das 19h15, enquanto no exterior investidores aguardam com cautela dados sobre o mercado de trabalho norte-americano.

O levantamento será divulgado na esteira da pesquisa Quaest divulgada na véspera, que mostrou que a vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) caiu em um potencial segundo turno da eleição presidencial de outubro.

Nos EUA, todos os olhos estão agora voltados para o relatório de empregos fora do setor agrícola dos Estados Unidos, a ser divulgado na sexta-feira, com expectativa de abertura de 56 mil empregos após o fechamento inesperado de 23 mil postos de trabalho em julho, com a taxa de desemprego se mantendo em 4,1%.

Os mercados monetários atualmente atribuem cerca de 60% de probabilidade de um aumento dos juros pelo Fed neste mês, ante menos de 40% há uma semana.

Já a atividade de serviços do Brasil voltou a crescer em agosto após um tropeço em julho conforme as novas encomendas e o emprego se estabilizaram, enquanto a confiança aumentou, de acordo com a pesquisa PMI (Índice de Gerentes de Compras).

O PMI de serviços do Brasil, compilado pela S&P Global, subiu a 50,5 em agosto de 49,7 em julho, voltando a ficar acima da marca de 50 que separa crescimento de contração. Neste ano, apenas julho apresentou retração da atividade.

Apesar da melhora no setor de serviços, a atividade no setor privado brasileiro permaneceu em contração, pressionada pela retração na indústria. O PMI Composto subiu a 49,1 em agosto, de 48,8 em julho, mas seguiu abaixo da marca 50 pelo segundo mês seguido.

"Para a economia como um todo, o setor de serviços ofereceu algum suporte, mas o setor privado permaneceu sob pressão devido à fraqueza da indústria de transformação. Uma recuperação provavelmente dependerá de uma demanda mais forte, da redução das pressões inflacionárias e de uma maior disposição das empresas para investir e contratar", disse Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence.

*Com informações da Reuters

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