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    “Não podemos permitir a desindustrialização no Brasil”, diz novo presidente da CNI

    Ricardo Alban diz que há pelo menos cinco pontos essenciais para o futuro da indústria brasileira: estrutura tributária, custo do crédito, infraestrutura e logística, transição energética, capacitação de mão de obra

    Ricardo Alban será o novo presidente da CNI
    Ricardo Alban será o novo presidente da CNI Divulgação/CNI

    Daniel Rittnerda CNN

    em Brasília

    O empresário baiano Ricardo Alban assumirá a presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI), na próxima terça-feira (31), com um discurso de que o setor é peça-chave no desenvolvimento do país.

    “Não podemos permitir a desindustrialização”, disse Alban, em conversa com a CNN dias antes de sua posse. Ele sucede o mineiro Robson Andrade, que deixa o comando de uma das maiores entidades empresariais do Brasil depois de três mandatos e 13 anos no cargo.

    “Qual é a nação do mundo que se desenvolveu sem uma indústria forte e competitiva?”, questiona Alban, argumentando que países ricos ampliaram seus subsídios ao setor em 40% no primeiro semestre, na comparação com igual período do ano passado.

    Para ele, há pelo menos cinco pontos essenciais para o futuro da indústria brasileira: estrutura tributária, custo do crédito, infraestrutura e logística, transição energética, capacitação de mão de obra.

    Quando fala sobre a reforma tributária, Alban elogia a simplificação da estrutura de impostos, mas vê com preocupação a lista de setores contemplados com descontos no futuro IVA “cheio” e com regimes diferenciados.

    Uma de suas maiores expectativas com a reforma é que ela possa diminuir a cumulatividade de impostos e viabilizar o adensamento industrial. “No Brasil, a cada passo na cadeia produtiva, acumula-se mais custo do que rentabilidade”, afirma.

    Sobre a taxa de juros, Alban avalia que o Banco Central “exagerou” ao elevar a Selic para 13,75% e deixá-la por um ano nesse patamar. Além dos juros básicos, no entanto, ele chama a atenção para o peso do spread bancário nos custos de financiamento das empresas.

    No caso da transição energética, o novo presidente da CNI faz uma ressalva sobre a chegada da tecnologia de hidrogênio verde.

    Para ele, o Brasil não pode converter-se simplesmente em “exportador de energia” e deve aproveitar o hidrogênio verde na descarbonização da indústria nacional, ajudando na abertura de mercados externos.

    “O mundo está disponibilizando muito funding para a transição energética. Temos que aproveitar isso, mas não só exportando energia [por meio do hidrogênio verde]. Se não, nos limitaremos a descarbonizar a indústria lá fora. Precisamos ter polos de indústrias verdes aqui no Brasil, fazendo uso da energia limpa para exportar produtos manufaturados”.

    Nova diretoria

    A posse de Alban, marcada para terça-feira à noite em um centro de convenções de Brasília, deve reunir grande quantidade de empresários e autoridades.
    Graduado em engenharia mecânica e administração de empresas, Alban é sócio-diretor da fábrica de biscoitos Tupy e ocupou cargos no Citibank. Ele preside atualmente a Federação das Indústrias da Bahia (Fieb).

    Alban fará algumas trocas na cúpula da CNI. Uma delas é a ida do ex-senador Roberto Muniz (BA) para a diretoria de relações institucionais, que coordena a atuação da entidade junto ao governo e ao Congresso.

    Rafael Lucchesi, que é diretor-geral do Senai, deverá assumir a área de economia e desenvolvimento industrial da CNI, responsável pelos principais indicadores e estudos econômicos da entidade.

    A dias da posse, Alban garante: “Toda e qualquer indústria, de qualquer tamanho e de qualquer setor, será a nossa prioridade na CNI”.

    Veja também: Governo federal vê “sinal amarelo” na economia, dizem fontes

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