Brasil é um dos mercados mais competitivos, diz CEO da Keeta no Brasil
Em entrevista exclusiva ao CNN Money, Tony Qiu detalha planos da nova plataforma de delivery de comida no país e comenta acusações de espionagem

A chegada da plataforma de delivery chinesa Keeta em São Paulo está prevista para o dia 1º de dezembro. A empresa, que é um braço da gigante Meituan, anunciou a vinda ao país em maio deste ano, e estreou as operações locais em Santos, no fim de outubro.
Em entrevista ao CNN Money, Tony Qiu, CEO da Keeta no Brasil e presidente das operações internacionais da empresa, afirmou que o Brasil é um dos países mais competitivos que a companhia entrou. Além do gigante mercado chinês, a companhia atua majoritariamente no mundo árabe.
Apesar dos desafios, o executivo ressaltou o sucesso da operação no Brasil, após seis meses de preparação. "Nossa operação está indo muito bem. Acho que, até agora, é o melhor lançamento da história da Keeta".
Segundo o executivo, os números refletem uma estreia positiva. Em Santos, os pedidos são entregues em aproximadamente 30 minutos, com taxa de conclusão de 99%. Atualmente, são 1,6 mil restaurantes listados, com 4,7 mil entregadores cadastrados na plataforma em Santos e São Vicente.
De acordo com Qiu, o mercado de delivery brasileiro pode ser classificado como "super competitivo", mas ainda com oportunidade de crescimento na casa de 20% ao ano.
"Este é, provavelmente, um dos mercados mais competitivos em que a Keeta já entrou. E uma diferença fundamental é a grande exclusividade nesse mercado. Acreditamos que seja por isso que só uma empresa tem dominado", disse, destacando as dificuldades de exclusividade que enfrentam pelos grandes players aqui presentes, bem como restrições e, segundo ele, tentativas de sabotagem.
Investimento bilionário
O anúncio da chegada da Keeta no Brasil, em maio deste ano, veio com um número que chamou a atenção do mercado: R$ 5,6 bilhões — ou cerca de US$ 1 bilhão em valores da época — investidos em cinco anos.
Ao CNN Money, Qiu detalhou que o valor será fatiado em uma série de iniciativas. Entre as metas do grupo chinês está uma rede logística de 120 mil entregadores. Também estão no pipeline construir uma central de atendimento no Nordeste e fornecer campanhas e ferramentas de marketing para parceiros comerciais.
O número de contratações também deve crescer para 2 mil trabalhadores, ante 1,2 mil atuais.
Para sustentar essa operação, a Keeta prevê fidelizar o cliente brasileiro, focando em agilidade e confiança.
"Nos comprometemos com entrega no prazo. Isso significa que, se prometermos um tempo de entrega de 30 minutos aos consumidores e atrasarmos 15 minutos, pagaremos um cupom a eles do nosso próprio bolso, porque temos muita confiança de que, em mais de 90% das vezes, chegaremos no horário", disse.
O incentivo também será com cupom de R$ 200 para novos usuários na plataforma. A Keeta ainda vai estrear um sistema "serviços intermediários": o cliente faz o pedido com o estabelecimento e somente a entrega é feita pelo aplicativo.
Espionagem no mercado
Apesar de não citar nomes, a companhia disse que foram registradas mais de 170 mensagens nos últimos meses, encaminhadas por consultorias nacionais e internacionais, mirando principalmente executivos das áreas de Negócio, Tecnologia e Comercial.
Ao CNN Money, Diego Barreto, CEO do iFood, disse que a operação foi um “processo de assédio estruturado e cadenciado”, partem de pedidos de entrevista sobre o mercado, escalando para informações sensíveis da companhia, como dados de faturamento, modelos de precificação e estratégias de investimento.
Também sem citar nomes, o CEO da Keeta no Brasil afirmou que notou "condutas de espionagem" durante as operações em Santos.
"No segundo dia do nosso lançamento, acho que em cerca de oito restaurantes, um grupo de talvez 10 pessoas fingiu trabalhar para a Keeta. Eles olharam nossos sistemas de gestão, examinaram todos os números, viram informações detalhadas sobre os pedidos e alguns deles chegaram a desligar o sistema Keeta em um dos restaurantes".
De acordo com ele, o caso foi encaminhado para autoridades locais.


