CEO da Ana Gaming: Aperto na tributação de apostas fomenta mercado ilegal
Marco Tulio Oliveira alerta que 50% do mercado ainda é ilegal e elevação de impostos sobre empresas de apostas pode incentivar operação não regulamentada
O setor de apostas esportivas no Brasil enfrenta desafios significativos em relação à regulamentação e tributação, conforme destacou Marco Tulio Oliveira, CEO da Ana Gaming, em entrevista ao CNN Money.
Segundo o executivo, o aumento progressivo das alíquotas tributárias pode ter um efeito contrário ao desejado pelo governo, fomentando o mercado ilegal em detrimento das operações regulamentadas.
Oliveira explicou que a tributação sobre as empresas do setor já passou por alterações recentes.
"Até o ano passado, a arrecadação, além de todos os impostos corporativos, era de 12% sobre o GGR [receita bruta das empresas]. A gente já elevou para 13% este ano, com previsão de 14% no próximo ano e 15% posteriormente", detalhou o executivo.
O CEO alertou que o aperto tributário excessivo pode criar uma concorrência desleal entre operadores regulamentados e ilegais.
"Estima-se que 50% do mercado ainda é ilegal. Então, desincentivar o mercado legal é atrair o ilegal", afirmou.
Segundo ele, a pressão tributária força as empresas regulamentadas a aumentarem suas margens ou reduzirem investimentos, o que pode tornar suas ofertas menos atrativas em comparação com plataformas não regulamentadas.
Arrecadação e benefícios econômicos
Apesar das preocupações com o aumento da carga tributária, Oliveira destacou a contribuição positiva que o setor já traz para a economia brasileira.
"A gente arrecadou, o país arrecadou só com a contribuição das empresas, R$ 2,5 bilhões, salvo engano, em janeiro e fevereiro. Isso não existia há dois anos atrás", ressaltou.
Além da arrecadação direta das empresas, o executivo lembrou que há também o imposto de renda retido sobre os ganhos dos apostadores, gerando receita adicional para os cofres públicos. O setor também tem promovido investimentos significativos no esporte brasileiro nos últimos anos.
Jogo responsável e preocupações sociais
Questionado sobre os impactos negativos das apostas, como problemas orçamentários familiares causados por jogadores compulsivos, Oliveira reconheceu a necessidade de cuidados especiais.
"O consumo em excesso de qualquer produto ou serviço faz mal. O que a gente tem que fazer é cuidar dessa parcela", afirmou.
Ele comparou a regulamentação necessária para o setor com a da indústria de bebidas alcoólicas, defendendo que parte da arrecadação seja destinada a programas de prevenção e tratamento de dependência.
"A forma como eu acho que a gente tem que tratar a indústria é entrar junto com a indústria, entender os números e cuidar daquela parcela mínima da população que vai sair do entretenimento e vai ao excesso", concluiu.


