Com saída da B3, Carrefour busca decisões mais rápidas, diz especialista

Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, comenta a saída do Carrefour da bolsa brasileira e as mudanças no varejo alimentar na última década

Da CNN Brasil
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O Carrefour, conhecido no Brasil como Atacadão, encerra sua listagem na B3 nesta sexta-feira (30), marcando o fim de uma era para o varejo brasileiro na bolsa de valores. Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, compartilhou insights sobre esta movimentação e suas implicações para o setor.

Segundo Tozzi, a saída da B3 representa uma busca por maior flexibilidade e agilidade na gestão. "O objetivo do Carrefour em sair da B3 é muito claro. Além de trazer uma simplificação societária, trazer uma simplificação para a operação no Brasil, se tornando uma subsidiária, o Carrefour busca uma flexibilidade na gestão, um pouco mais de velocidade, flexibilidade e agilidade", explicou.

A especialista destacou que esta mudança visa manter o crescimento de operações como o Atacadão, que tem apresentado bom desempenho, e buscar eficiência operacional através da revisão do portfólio de lojas.

Transformações no varejo alimentar

Tozzi também comentou sobre as significativas mudanças no setor de varejo alimentar desde a entrada do Carrefour na bolsa brasileira em 2017. "O varejo alimentar no Brasil vive de desafios constantes", afirmou. Ela destacou a forte digitalização nos últimos anos, o crescimento dos serviços de entrega e a reinvenção dos formatos de loja, desde grandes supermercados até operações menores de bairro.

A pandemia foi apontada como um ponto de virada, impulsionando as vendas dos supermercados e acelerando a adoção de canais digitais. "Na pandemia a gente teve um boom, porque os supermercados eram de alguma forma um escape para quem estava preso dentro de casa", lembrou Tozzi.

Expansão internacional do modelo Atacadão

A consultora também comentou sobre a expansão do modelo Atacadão para fora do Brasil, incluindo operações no Marrocos e na França. Tozzi vê essa expansão como um teste de um modelo disruptivo em mercados maduros que carecem de novidades. "Testar um modelo diferente num mercado tão maduro quanto o mercado europeu faz todo o sentido", opinou.

Por fim, Tozzi ressaltou que a saída da B3 pode facilitar investimentos estrangeiros e uma visão de longo prazo para o Carrefour no Brasil. "A reestruturação vem tanto pelo lado da operação, então ganhar essa agilidade, como vem para uma questão de juros muito altos, dificuldade de captar investimentos de longo prazo", concluiu.

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