Copa do Mundo deve impulsionar ofertas, diz CEO da Casas Bahia
Maior concorrência entre fornecedores pode gerar promoções superiores às da Black Friday durante o Mundial

A Copa do Mundo está movimentando o varejo brasileiro com expectativas de promoções consideradas mais agressivas do que as tradicionais ofertas da Black Friday. Durante entrevista ao programa "Call de Negócios", o CEO da Casas Bahia, Renato Franklin, disse que a maior competição entre fornecedores em relação ao Mundial anterior é apontada como o principal fator para esse cenário favorável ao consumidor. "Nós temos muito mais fornecedores competindo por esse mesmo volume de compras", afirmou Franklin.
Deflação em produtos de tecnologia
O aumento no número de fornecedores disputando o mesmo volume de compras tem gerado uma deflação observada em categorias como televisores, celulares e computadores. Segundo o diretor-executivo, as negociações realizadas para o período da Copa do Mundo resultaram em condições comerciais especialmente vantajosas para o consumidor final. "O que a gente negociou de promoções para fazer para o consumidor durante a Copa do Mundo é muito agressivo, mais do que Black Friday", afirmou, destacando que as ofertas devem estimular ainda mais o consumo durante o evento.
Cautela diante do otimismo do setor
Apesar do entusiasmo generalizado da indústria com a Copa do Mundo, o representante demonstrou cautela em relação às projeções de crescimento. Ele ressaltou a importância de acompanhar as vendas dia a dia antes de confirmar qualquer aposta mais ousada.
"Melhor ter um crescimento menor um pouco, mas com rentabilidade, do que tentar avançar demais e pôr em risco o incremento de margem", ponderou, reforçando a estratégia de equilibrar expansão comercial com sustentabilidade financeira a cada trimestre.
Rentabilidade pós-pandemia
A pandemia impulsionou o crescimento digital de empresas em todo o Brasil, e a Casas Bahia não foi exceção. Com juros a 2%, crédito abundante e um ecossistema de mais de 100 milhões de clientes, a companhia adotou uma estratégia agressiva de expansão, apostando simultaneamente em e-commerce, marketplace, banco digital, fintech e serviços de análise de crédito.
"A estratégia naquele período pós-pandemia foi realmente, se a gente fizer uma caricatura, quase que fazer tudo para todo mundo", afirmou Renato Franklin. A ambição era tornar-se referência em múltiplos segmentos, aproveitando as capacidades já consolidadas da companhia.
Mudança no cenário macroeconômico força revisão de rumos
No entanto, a rápida deterioração do ambiente econômico colocou em xeque esse modelo. A taxa de juros saltou de 2% para 15%, o crédito tornou-se escasso e um caso de grande repercussão no varejo dificultou ainda mais o acesso a financiamentos para empresas do setor. Esse conjunto de fatores revelou a fragilidade de uma estratégia que demandava alto consumo de caixa por períodos de três a cinco anos até atingir o ponto de equilíbrio financeiro.
Diante desse cenário, a companhia decidiu reformular completamente sua atuação. Produtos de baixo custo e alta recorrência, como garrafas de água, bebidas, itens de limpeza e azeite, que geravam margem negativa apesar de atrair audiência, foram retirados do portfólio. O foco passou a ser eletrodomésticos, tecnologia, incluindo televisores, celulares e informática, e móveis.
Crediário como pilar da nova estratégia
O tradicional crediário da marca, popularmente conhecido como "carnezinho Casas Bahia", foi reposicionado como ferramenta central para alavancar rentabilidade e ampliar o acesso ao consumo. A empresa passou a valorizar suas vantagens competitivas mais consolidadas: a logística especializada para itens de grande porte e a capacidade de oferecer crédito a consumidores sem acesso ao sistema bancário tradicional. A nova estratégia representa uma aposta na especialização em detrimento da diversificação irrestrita que marcou o período anterior.
Call de Negócios
O programa Call de Negócios é uma produção do NeoFeed com a CNN Brasil e é apresentado por Letycia Cardoso. Acompanhe os episódios inéditos, quinzenalmente, às 20h, no CNN Money.


