Embraer vê cautela em opções de compra de aeronaves com guerra no Irã

Conflito no Oriente Médio elevou preços dos combustíveis em escala global; companhia brasileia prevê entregar 80 a 85 aviões neste ano

Por Gabriel Araujo, da Reuters
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Algumas companhias aéreas estão adiando decisões sobre o exercício ​de opções de compra de aeronaves em meio ​às incertezas relacionadas à guerra no Irã, que elevou os preços do combustível de aviação, disse à Reuters o presidente-executivo da Embraer , Francisco Gomes Neto, neste sábado (6).

Embora a fabricante brasileira de aviões não tenha recebido pedidos para adiar as entregas, nem observado uma desaceleração nas campanhas de vendas ativas, Gomes Neto afirmou que começa a surgir ⁠cautela em relação aos compromissos ​incrementais.

"Algumas empresas que poderiam estar exercitando as opções de venda que foram ​firmadas anteriormente (estão) deixando isso um pouco mais para frente, para entender melhor como ⁠é que vai ficar essa situação", disse ⁠ele, ao participar da cúpula anual da Associação Internacional de Transporte ​Aéreo, ‌no Rio de Janeiro.

A carteira de pedidos comerciais da Embraer cobre quase cinco anos ⁠de entregas, e a empresa continua a realizar várias campanhas de vendas para sua família E2, esperando fechar alguns acordos durante o Farnborough Airshow, no Reino Unido, no próximo mês.

A ‌Embraer ⁠tem como objetivo ‌aproveitar os negócios recentes, incluindo acordos com a Finnair para 18 aeronaves e com a arrendadora Azorra para 15, após um ano sólido em 2025. A empresa acredita que a eficiência ⁠de combustível do E2 pode aumentar a ⁠demanda pela família.

"Várias campanhas estão em andamento", disse Gomes Neto, acrescentando que o momento dos possíveis negócios ‌depende em grande parte dos clientes.

"Não sei se (2026) vai ser tão bom como o ano passado. Mas a gente está animado, sim, acho que vai ser um bom ano para a aviação comercial também."

A Embraer continua a visar um aumento na produção, com uma ambição interna de entregar entre 95 e 100 aeronaves comerciais em 2027. A perspectiva para este ano é de entregar 80 a 85 aviões.

Gomes ⁠Neto enfatizou que a meta depende mais da suavização das cadeias de suprimentos do que da resolução de tensões geopolíticas, como a guerra no Irã.

Mas os gargalos que ​afetaram o setor desde a pandemia estão melhorando gradualmente, disse ele.

A Embraer também pretende melhorar ​as margens em sua unidade de aviação comercial. Gomes Neto disse que a empresa renegociou alguns contratos mais antigos, que apresentavam menor lucratividade, e espera que uma demanda mais forte por novos negócios sustente melhores ‌preços.

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