Pequenos negócios perdem com pandemia, mas lockdown não é determinante
Em média, pequenas empresas faturam 43% menos do que o que faturavam antes da pandemia — e continuaram a perder dinheiro mesmo com o afrouxamento das restrições

Os pequenos negócios estão perdendo dinheiro desde fevereiro por conta da pandemia da Covid-19. Segundo um estudo feito pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), 79% das pequenas empresas reportaram que estão sendo impactadas negativamente pela crise sanitária — a pior porcentagem desde julho de 2020, quando o valor era de 81%.
Em média, as pequenas empresas faturam 43% menos do que o que faturavam antes da pandemia, mesmo com o afrouxamento das restrições. Desde março, 80% dos pequenos negócios estão em operação. O estudo conclui, então, que o lockdown não é determinante para o lucro.
"A pesquisa nos permite perceber que apenas a autorização para reabertura das empresas não é fator suficiente para influenciar de forma positiva o faturamento desses negócios. Por isso é fundamental que a vacinação seja acelerada e que sejam criadas políticas que amparem os empreendedores, ampliem o acesso ao crédito e reduzam o custo desses empréstimos de forma rápida", afirmou o presidente do Sebrae, Carlos Melles, em relatório.
Com isso, os empreendedores tendem a se endividar. O número de pequenos negócios com inadimplência subiu para 36% — três pontos percentuais acima do que foi mostrado em fevereiro deste ano.
E a necessidade por empréstimos aumentou. 45% dos donos procuraram instituições financeiras em 2021, o que pode, segundo a pesquisa, representar uma nova tendência de crescimento de procura por crédito. A Caixa Federal Econômica e o Banco do Brasil (BB) foram os mais procurados pelos empreendedores.
O sucesso nos pedidos de crédito, por sua vez, também aumentou: 52% foram aprovados em maio deste ano, contra apenas 11% em abril do ano passado. "Esse índice cresceu muito de fevereiro para cá, o que reduziu o movimento de endividamento. O cenário ainda não é grave, mas precisamos ligar o sinal de alerta e acompanhar essa evolução, além de ficarmos muito atentos aos MEI que apesar de estarem menos endividados estão mais inadimplentes do que as micro e pequenas empresas", explica Melles.
O estudo mostra, também, que sete em cada dez MEI não tiveram dinheiro o suficiente para pagar as despesas de suas casas e 67% dos donos de pequenos negócios afirmaram o mesmo.
De tal forma, os empreendedores estão mais pessimistas com o andamento da pandemia. Grande parte deles acredita que a normalização econômica acontecerá somente daqui 18 meses, em outubro de 2022 — mesmo mês das eleições presidenciais. No ano passado, o período esperado para a recuperação era de 14 meses.
As vendas online
A pesquisa ainda aponta que a venda online não é capaz de suprir o valor perdido. Apenas três em cada 10 negócios têm mais de 50% de seu faturamento com vendas digitais. Para os MEI a situação é ainda pior e apenas 31% afirmam que mais que a metade de seu faturamento se dá por esse canal.
A pesquisa foi feita de forma online e ouviu 7.820 microempreendedores individuais (MEI) e donos de pequenos negócios entre os dias 25 de maio e 1º de junho, em todos os estados e no Distrito Federal.