Morre Leonard Lauder, herdeiro do império de cosméticos Estée Lauder

Ex-presidente da gigante de cosméticos transformou empresa familiar em império global. Filantropo e colecionador de arte deixa legado na indústria da beleza

Auzinea Bacon
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Leonard Lauder, filho mais velho dos pioneiros em cosméticos, Estée e Joseph H. Lauder, e ex-presidente da gigante de cosméticos Estée Lauder Companies, morreu no sábado (14), segundo anúncio da empresa. Ele tinha 92 anos.

"Durante toda sua vida, meu pai trabalhou incansavelmente para construir e transformar a indústria da beleza, sendo pioneiro em muitas das inovações, tendências e melhores práticas que são fundamentais para o setor hoje", disse William P. Lauder, filho de Leonard e atual presidente do conselho de administração da empresa, em comunicado.

Nascido em uma família judia em Nova York, Leonard Lauder, quando menino, acompanhava sua mãe em visitas de vendas em salões e a ajudava a embalar caixas de pó e óleos de limpeza. Mais tarde, frequentou e se formou na Escola de Negócios da Universidade Columbia, após servir como tenente na Marinha dos EUA por três anos.

Ele ingressou oficialmente na Estée Lauder aos 25 anos em 1958, quando a empresa tinha apenas alguns funcionários e menos de US$ 1 milhão em vendas.

A Estée Lauder Companies cresceria e se tornaria um império global com um portfólio que inclui Clinique, La Mer, The Ordinary, MAC Cosmetics e Bobbi Brown Cosmetics.

Entre seus muitos cargos, atuou como presidente por 23 anos, a partir de 1972, e como diretor executivo de 1982 a 1999. Foi nomeado presidente do conselho em 1995 e ocupou o cargo até 2009, segundo a empresa.

Em 1995, Lauder abriu o capital da empresa na Bolsa de Valores de Nova York a US$ 26 por ação. A Estée Lauder Companies Inc. (EL) agora tem um valor de mercado de aproximadamente US$ 24,3 bilhões.

De acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg, Lauder tinha um patrimônio líquido pessoal de US$ 15,6 bilhões.

Quando perguntado pelo que gostaria de ser lembrado durante uma entrevista à CBS News em 2020, Lauder respondeu: "Ele escutava... e era gentil".

Em 24 horas após conhecer Lauder, era possível esperar notas íntimas, frequentemente escritas à mão, do pioneiro da beleza.

Era uma técnica de vendas que se assemelhava ao estilo profissional de sua mãe, que também era conhecida por acreditar que os negócios se baseavam em desenvolver e manter relacionamentos e fazer as pessoas se sentirem importantes.

"No início, nunca anunciávamos... distribuíamos amostras", disse ele a David Rubenstein, cofundador do Carlyle Group, em 2021. "Distribuíamos amostras em tamanho suficiente. Se você dá a um cliente uma amostra de um produto e eles gostam, eles voltam e compram repetidamente - é isso que constrói o negócio".

Lauder ficou conhecido por criar o "índice do batom" durante a recessão econômica que se seguiu aos ataques de 11 de setembro de 2001.

Ele notou que a compra de cosméticos, especialmente batons, tendia a ter uma relação inversa com a economia, pois as mulheres substituíam compras mais caras por pequenos mimos.

No outono de 2001, as vendas de batom nos EUA aumentaram 11%. E durante a Grande Depressão, as vendas de cosméticos em geral aumentaram 25%.

Lauder também era um filantropo dedicado e colecionador de arte. Em 2013, ele doou uma coleção de 78 peças de arte cubista ao Metropolitan Museum of Art em Nova York - a maior doação filantrópica individual na história do Met, segundo a Estée Lauder.

Ele também estabeleceu um centro de pesquisa de arte moderna no Met, que apoiava bolsas de estudo, exposições e palestras públicas.

Ele também era um defensor da pesquisa contra o câncer e atuou como presidente honorário do conselho de diretores da Breast Cancer Research Foundation. Em 1998, Lauder e seu irmão, Ronald S. Lauder, fundaram a Alzheimer"s Drug Discovery Foundation, que apoia a pesquisa de medicamentos para prevenir, tratar e curar o Alzheimer.

"Seu impacto será sentido por gerações futuras graças à sua incansável filantropia, advocacia e criatividade em enfrentar alguns dos maiores desafios do mundo.

O número de vidas que ele tocou e impactou positivamente em todos os seus empreendimentos é imensurável", disse Ronald Lauder, 81 anos, que atua como presidente da Clinique Laboratories.

A família fundadora da empresa continua sendo a maior acionista da companhia, e três membros atuam no conselho de administração.

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