Moura Dubeux deve adotar cautela de olho no cenário macro, diz CEO
Construtora registrou lucro líquido de R$ 174 mi no 2º trimestre de 2026, alta de 44%; CEO aponta postura mais conservadora
A Moura Dubeux registrou lucro líquido recorde de R$ 174 milhões no segundo trimestre de 2026, o que representa uma alta de 44% na comparação anual. No mesmo período, as receitas da construtora cresceram 9,9%, atingindo R$ 731,1 milhões.
Em entrevista ao CNN Money, Diego Villar, CEO da companhia, explicou os fatores que impulsionaram os resultados e sinalizou que a empresa deve adotar uma postura mais cautelosa nos próximos anos, diante do atual cenário macroeconômico.
Villar atribuiu o desempenho positivo à atuação exclusiva da Moura Dubeux no mercado imobiliário do Nordeste, região que, segundo ele, não apresentou o mesmo excesso de oferta observado em outros mercados do país.
"A Moura Dubeux é uma empresa líder no mercado imobiliário do Nordeste, a única região em que a gente atua", afirmou. A construtora, fundada em Recife, está presente em sete estados nordestinos e opera desde o segmento econômico até o alto luxo.
O executivo destacou ainda a diversificação regional e de mix de produtos como pilares do crescimento.
"A gente tem sido bastante feliz na localização dos terrenos, no desenvolvimento imobiliário de cada um dos produtos e principalmente na diversificação, não só regional, atuando da Bahia ao Ceará, como também na diversificação de tipos de produtos, do segmento econômico ao alto luxo", disse Villar.
Queda nas vendas e linearidade nos lançamentos
Apesar do lucro recorde, o trimestre registrou uma queda de quase 15% nas vendas líquidas e um recuo nos lançamentos em relação ao mesmo período do ano anterior. Villar explicou que a variação reflete uma escolha estratégica da empresa por maior linearidade nos resultados, em vez de picos concentrados de lançamentos.
"A gente decidiu ser mais linear na construção desses resultados, o que traz também uma linearidade nos resultados financeiros da empresa", afirmou.
O CEO ressaltou que, ao se comparar os seis meses acumulados ou os últimos 12 meses, o crescimento é significativo. Segundo ele, no segundo trimestre a empresa lançou cerca de R$ 1 bilhão em produtos e comercializou o mesmo volume, demonstrando a solidez da demanda.
Cautela diante do cenário macroeconômico
Questionado sobre o endividamento das famílias e seus impactos no setor, Villar reconheceu que a macroeconomia é um fator determinante nas decisões estratégicas da companhia para os próximos cinco anos. A projeção é reduzir a participação do segmento de alto padrão e luxo no mix de produtos — de R$ 4 bilhões para cerca de R$ 2,5 bilhões anuais — e ampliar a presença no segmento econômico, que deve atingir também R$ 2,5 bilhões.
Villar explicou que o crescimento robusto do segmento de luxo nos últimos anos foi impulsionado por uma combinação de demanda reprimida, crescimento real de renda das classes mais altas e mudanças na pirâmide etária.
No entanto, ele avaliou que parte dessa demanda já foi atendida e que o país pode enfrentar um momento econômico mais desafiador.
"A gente prefere ter mais cautela em acreditar que o país pode passar por um momento econômico um pouco mais desafiador, que pode manter os juros um pouco mais altos e, em algum momento, criar um pouco mais de desemprego", disse o executivo.
Para o segmento econômico, Villar demonstrou maior otimismo, citando o déficit habitacional estrutural e o histórico de crescimento consistente do setor, independentemente do ciclo econômico. Segundo ele, a classe média também concentra uma demanda reprimida relevante, que poderá ser liberada em um eventual cenário de redução de juros.


