Nova oferta da Paramount pela Warner não é suficiente, diz acionista

Na segunda-feira (22), a Paramount alterou ⁠sua oferta hostil de US$ 108,4 bilhões pelo lendário estúdio de Hollywood.

Ross Kerber e Dawn Kopecki, da Reuters
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A oferta mais recente da Paramount Skydance para comprar a Warner Bros Discovery ainda não é boa o ⁠suficiente para o fundo Harris Oakmark, conforme afirmado à Reuters na ‍segunda-feira (22).

Quinto maior acionista da Warner Bros e detentor de 96 milhões de ações, ou cerca de 4% do total no final de setembro, o fundo aguardará uma maior participação da Paramount, controlada pela família Ellison.

"As mudanças na nova oferta da Paramount foram necessárias, mas não suficientes", disse Alex Fitch, gestor de portfólio e diretor de pesquisa nos EUA do Harris Oakmark, em um e-mail para a Reuters.

"Consideramos os dois negócios equivalentes, e mudar de rumo tem um custo. Se a Paramount realmente quer vencer, precisará ​oferecer um incentivo maior."

Na segunda-feira, a Paramount alterou ⁠sua oferta hostil de US$ 108,4 bilhões pelo lendário estúdio de Hollywood.

O cofundador da Oracle Larry Ellison -- cujo ‌filho, David, é o proprietário da Paramount -- está agora garantindo pessoalmente US$ 40,4 bilhões da oferta para adquirir a Warner Bros, que é dona da HBO Max e controla as franquias ⁠Harry Potter, Senhor dos Anéis e Superman.

Questionamentos sobre o financiamento, grande parte do qual estava sob um ‌fundo ‍fiduciário revogável, deixaram alguns investidores da Warner Bros inseguros quanto à aceitação da oferta.

A Paramount também aumentou a taxa que pagará ‍de US$ 5 bilhões para US$ 5,8 bilhões caso os órgãos reguladores não aprovem o acordo, para igualar uma oferta concorrente da Netflix, embora não tenha aumentado sua oferta de US$ 30 por ação.

"Recursos de mídia de primeira linha"

Os investidores da Warner Bros. têm agora até 21 de ⁠janeiro, prazo prorrogado de 8 de janeiro, para aceitar ou rejeitar a chamada oferta pública de aquisição.

O conselho da Warner Bros recomendou por unanimidade, na quarta-feira, que os acionistas rejeitassem a oferta anterior da Paramount em favor da proposta da Netflix, alegando que o financiamento não oferecia uma "garantia ‌completa".

Embora a oferta em dinheiro da Netflix, de US$ 23,25 por ação, ​seja menor, o conselho afirmou que sua proposta era superior porque o financiamento era mais seguro e incluía US$ 4,50 em ações ordinárias da Netflix, além de ⁠tudo o que a Warner Bros. puder receber quando desmembrar a Discovery Global como parte do acordo.

A guerra de lances demonstra a qualidade dos ativos da Warner Bros., disse Yussef Gheriani, diretor de investimentos da Chicago IHT Wealth Management, que detém 16.000 ações da Warner Bros., 6.500 ações da Netflix e 60.000 da Paramount.

"É muito raro ter a oportunidade de adicionar ativos de mídia de primeira linha ao seu portfólio", disse ele, acrescentando que provavelmente seguirá a orientação do conselho sobre a venda. "Eles conhecem o negócio por dentro e por fora e têm uma compreensão melhor das nuances associadas ao negócio ⁠do que nós."

O investidor Thomas Poehling, que possui 484.000 ações da Warner Bros e 639.000 da Paramount, disse que provavelmente aceitará a oferta revisada se a Netflix não fizer uma contraproposta, porque a Paramount tem uma chance melhor de obter a aprovação dos ⁠órgãos reguladores.

A garantia de Ellison "acrescenta muita estabilidade a essa oferta e elimina grande parte da incerteza do financiamento", disse ele.

Gheriani e Poehling não são os únicos investidores a possuírem ações nos estúdios de cinema rivais. A Vanguard, a State Street e a BlackRock são os três maiores acionistas da Warner Bros., controlando, juntos, pelo menos 22% da empresa.

Os três também estão entre os dez maiores investidores da Paramount e da Netflix. Nenhum deles fez comentários para ​este artigo.

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