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Oferta de minerais críticos precisa subir, diz CEO da Vale à CNN

Gustavo Pimenta destaca potencial do Brasil e importância dos recursos para alimentar setor de IA

João Nakamura e Sofia Kercher, da CNN Brasil, em São Paulo
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Em entrevista ao âncora Richard Quest da CNN Internacional, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, disse que "estamos vivendo um momento muito especial para a indústria de mineração".

O executivo da principal mineradora brasileira observa que "as pessoas estão se dando conta da importância" do setor, à luz da discussão em evidência sobre os minerais críticos.

"Penso que um dos principais desafios que enfrentamos é o abastecimento, e estamos trabalhando nisso. [...] Nós temos que trabalhar com a sociedade, acionistas, para garantir que possamos implementar isso mais rapidamente", afirmou Pimenta em entrevista à CNN Internacional, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça.

O CEO avalia que a oferta de minerais críticos precisa aumentar de cinco a seis vezes. "Trata-se de um investimento imenso, bilhões de dólares, que precisamos aplicar no setor de minerais críticos."

Os elementos em questão são matéria-prima para tecnologias disruptivas, desde baterias de carros e placas solares a chips que fazem a inteligência artificial rodar.

"Acho que hoje todos percebem a importância disso hoje. Quero dizer, vivemos melhor. Vivemos mais tempo graças a algo que foi minerado. Se olharmos para o futuro e para a IA e tudo o que queremos fazer, a quantidade de mineração que precisaremos fazer será ainda maior do que o esperado", pontuou Pimenta.

Foco no Brasil

Questionado sobre onde a mineradora vai voltar seus esforços, o executivo foi categórico ao apontar o Brasil.

"O Brasil tem a tabela periódica em nosso território. Temos tudo em escala. Estamos entre os cinco maiores produtores em termos de reservas e produção de minério de ferro de alta qualidade", ponderou.

"A Vale é a maior produtora de minério de ferro globalmente, terras raras, cobalto, níquel e cobre. Portanto, o Brasil é um dos candidatos em potencial", concluiu.

Olhando para fora, vê o potencial de o país abastecer grandes players internacionais que demandam de minerais críticos, como os Estados Unidos e a China, que hoje é a grande produtora e processadora desses minerais, que exigem alta tecnologia e técnica para serem trabalhados.

"Uma democracia estável que possa abastecer os EUA e a China. Essa é uma de nossas principais prioridades hoje. [...] O Brasil também mantém boas relações com a China e com a Europa. Portanto, acredito que estamos em uma posição vantajosa por sermos um país neutro nesse aspecto. Assim, podemos abastecer todos esses mercados com o que eles precisam."

Relação com EUA

Após um período conturbado em 2025 por conta do tarifaço do presidente norte-americano Donald Trump, o CEO da Vale acredita que a relação entre Brasil e EUA "melhorou bastante nos últimos dois meses".

"Brasil e Estados Unidos têm uma relação de longa data, que remonta a séculos. Brasil e Estados Unidos são grandes parceiros", observou.

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