Brasil pode ter disputa entre Tesla e chineses em 1º leilão de baterias
Consulta pública reúne contribuições da Tesla, Petrobras e empresas chinesas para o primeiro certame do setor no país; ministro de Minas e Energia se encontrou com empresas da China para tratar do tema

O primeiro leilão de baterias de armazenamento de energia do Brasil, previsto para abril, pode colocar frente a frente a Tesla, de Elon Musk, e grandes empresas chinesas do setor elétrico e industrial.
O movimento aparece na consulta pública aberta pelo governo para discutir as regras do certame, etapa preliminar que antecede a publicação do edital definitivo.
A Tesla apresentou duas contribuições formais ao processo. Já a Petrobras enviou uma manifestação, assim como a Huawei, multinacional chinesa.
As contribuições tratam de aspectos técnicos do leilão, como modelo de contratação, requisitos de potência, prazos de suprimento e critérios operacionais para integração das baterias ao Sistema Interligado Nacional
O tema ganhou força nesta semana após a intensificação da agenda internacional do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, na China.
Durante a viagem oficial, o ministro se reuniu com ao menos quatro grandes empresas do setor, entre elas Huawei, CATL (Contemporary Amperex Technology), Envision Energy e o grupo SANY.
O principal objetivo dos encontros foi apresentar aos investidores chineses o desenho do primeiro leilão de baterias do país e atrair a participação dessas companhias no certame, considerado estratégico para a segurança do sistema elétrico brasileiro.
As baterias de armazenamento funcionam como grandes reservatórios de energia.
Elas permitem estocar eletricidade nos momentos de sobra na rede, especialmente em períodos de forte geração solar e eólica, e liberá-la nos horários de maior consumo.
Na prática, a tecnologia ajuda a resolver o chamado “curtailment”, quando usinas renováveis precisam reduzir a geração por excesso de oferta, além de diminuir a dependência de termelétricas e reforçar a estabilidade do sistema.
O leilão de baterias será voltado exclusivamente à contratação de novos sistemas de armazenamento, com contratos de potência de reserva de dez anos e início de suprimento previsto para agosto de 2028.
A expectativa do governo é que o certame marque a entrada definitiva do Brasil no mercado global de armazenamento de energia em larga escala.
Sistemas desse tipo já são amplamente utilizados em países como Estados Unidos, China, Austrália e membros da União Europeia, especialmente em redes com elevada participação de energia limpa.


