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Pesquisa sugere baixa demanda pelo iPhone Air da Apple

Recepção fria do iPhone Air levanta questões sobre como a Apple pode evoluir para além dos modelos padrão, Pro e Pro Max

Lisa Eadicicco, da CNN
Logo da Apple em loja em Paris, França.
Logo da Apple em loja em Paris, França.  • REUTERS/Abdul Saboor/Arquivo
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A Apple apostou alto em uma reformulação radical do iPhone no ano passado, a maior mudança no smartphone em quase uma década. Mas o iPhone Air, mais fino, parece não ter agradado os compradores.

Novos dados de pesquisa de mercado indicam que a adoção do iPhone Air está muito atrás da do iPhone 17, 17 Pro e 17 Pro Max: apenas 6% dos compradores de iPhone nos EUA entrevistados pela Consumer Intelligence Research Partners compraram o iPhone Air no trimestre encerrado em dezembro.

Em comparação, 22% compraram o iPhone 17; 25% compraram o iPhone 17 Pro; e 27% optaram pelo iPhone 17 Pro Max, de acordo com o relatório.

A Apple divulgará os resultados financeiros nesta quinta-feira (28) e anunciará a receita global do iPhone para o trimestre. No entanto, a empresa não divulgará números específicos para cada modelo de iPhone.

Já houve relatos de baixa demanda pelo iPhone Air. Mas a Apple, a maior fabricante de smartphones do mundo, segundo algumas estimativas, talvez não precise de um grande sucesso de vendas.

A International Data Corporation prevê um número recorde de vendas este ano para a Apple, impulsionado pela mais recente linha de iPhones 17. E alguns analistas dizem que o iPhone Air nunca foi realmente concebido para ser um campeão de vendas. Ao contrário disso, o telefone foi projetado para oferecer mais opções aos compradores e preparar o terreno para iPhones mais avançados, como os modelos dobráveis.

Ainda assim, a recepção fria do iPhone Air levanta questões sobre como a Apple pode evoluir para além dos modelos padrão, Pro e Pro Max.

A Apple não respondeu a um pedido de comentário sobre as vendas do iPhone Air, planos de lançamento para uma versão futura ou alterações nos planos de produção.

O iPhone Air está muito atrás de outros modelos

Os novos dados da CIRP indicam uma diferença considerável no interesse entre o Air e os demais iPhones mais recentes da Apple. O relatório é baseado em uma pesquisa realizada entre 2 e 21 de janeiro com 500 consumidores americanos que compraram um produto Apple entre outubro e dezembro de 2025.

Não é o primeiro indício de demanda fraca pelo iPhone Air, lançado em setembro, simultaneamente aos modelos do iPhone 17. O The Information noticiou em novembro que a Apple estava adiando o modelo de segunda geração após as vendas não terem atingido as expectativas. Segundo o Nikkei Asian Review, a Apple teria reduzido a produção do iPhone Air e aumentado os pedidos dos outros modelos.

Pode haver uma razão simples para o desinteresse dos consumidores pelo iPhone Air, de acordo com Josh Lowitz, um dos analistas do CIRP responsáveis ​​pelo estudo: as pessoas não ligam para celulares finos.

A maioria dos entrevistados que compraram o iPhone Air o fizeram porque estavam substituindo um celular antigo, e não porque queriam um aparelho mais fino, afirmou Lowitz.

Carolina Milanesi, presidente e analista principal da Creative Strategies, empresa de análise do setor de tecnologia, concorda.

Os consumidores não entram nas lojas dizendo: "Meu Deus, eu queria que isso fosse mais leve", disse Milanesi. "Estamos acostumados a carregar o que carregamos. Então, não era um problema em si".

A Apple tem tido dificuldades em encontrar um quarto modelo de iPhone que conquiste os consumidores. Anteriormente, oferecia versões menores e maiores do iPhone padrão, chamadas de iPhone Mini e iPhone Plus, respectivamente. Mas a Apple removeu ambas da linha de produtos devido à baixa procura, conforme relatos.

O iPhone Air não se destaca em nenhum aspecto além da espessura. O iPhone 17 Pro Max tem a maior tela, a bateria com maior duração e uma câmera com três lentes. O iPhone 17 Pro é mais barato e menor que o Pro Max, compartilhando muitas das características. O iPhone 17 é o mais acessível da linha, mas ainda possui uma câmera adicional e maior duração da bateria em comparação com o Air, embora o modelo mais fino da Apple tenha uma tela maior e um chip mais potente.

"O 17 Pro, o Pro Max e o 17 básico abrangem grande parte das funcionalidades", declarou o analista da CIRP, Michael Levin. "E acabam monopolizando a atenção".

O propósito do iPhone Air

Alguns analistas, como Milanesi, dizem que o iPhone Air representa muito mais do que vendas a curto prazo. O novo design e as mudanças de engenharia podem abrir caminho para um iPhone dobrável, que, segundo a Bloomberg, pode chegar ainda este ano.

Ao contrário de outros modelos, os chips que alimentam o iPhone Air estão integrados ao módulo da câmera, próximo à parte superior do aparelho, liberando mais espaço no corpo principal para a bateria. Isso permite que a Apple alcance um design mais fino sem comprometer significativamente a duração da bateria.

Essa mudança pode ser importante para um futuro iPhone dobrável, considerando que esses tipos de telefones tendem a ser mais grossos do que os smartphones comuns quando fechados.

Dispositivos com designs inovadores, como o iPhone Air e os celulares dobráveis, geralmente atraem os primeiros a adotar novas tecnologias, em vez do consumidor médio. Embora esse público represente uma pequena fatia do mercado de smartphones, é um mercado importante para a Apple conquistar, apontou Milanesi.

É uma parte fundamental de como a Apple se posiciona como pioneira em design e tecnologia.

"Eu posso não comprar o Air, mas ainda assim achar que a Apple é a melhor empresa porque foi ela quem lançou o Air", destacou Milanesi. "Então, existe esse prestígio que a marca conquista".

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