Prioridade do Mercado Livre é crescimento a longo prazo, diz diretor

Companhia lucrou US$ 417 milhões no 1º trimestre, queda de 15,6%, mas receita saltou para US$ 8,8 bilhões

Da CNN Brasil
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O Mercado Livre divulgou seu balanço financeiro referente ao primeiro trimestre do 2026 e registrou um lucro líquido de US$ 417 milhões no período, uma queda de 15,6% na comparação anual. O resultado ficou abaixo das expectativas dos analistas, impactado pelos investimentos em logística, expansão de crédito e frete grátis.

Em contrapartida, a companhia apresentou um expressivo crescimento de 49% na receita, que atingiu US$ 8,8 bilhões no trimestre. Apesar da reação negativa dos investidores após a divulgação dos números, Richard Cathcart, responsável pelas relações com investidores do Mercado Livre, defendeu a estratégia adotada pela empresa.

Cathcart afirmou que a prioridade da companhia é o crescimento, e não a rentabilidade de curto prazo.

"Nossa prioridade é garantir que não percamos nenhuma dessas oportunidades", declarou, referindo-se às possibilidades de expansão do comércio eletrônico e da inclusão financeira na América Latina. Segundo ele, a empresa está "construindo uma companhia para a próxima década, não para o próximo ano e certamente não para o próximo trimestre".

O executivo destaca que crescer 49% ao ano em uma empresa com receita de quase US$ 30 bilhões nos últimos 12 meses "não é nada fácil". Ele reconheceu que os investimentos estratégicos causam uma compressão de margem no curto prazo, mas ressaltou que todas as métricas de engajamento estão melhorando e se fortalecendo.

Brasil e a estratégia de frete grátis

O Brasil foi destaque no trimestre, com aceleração do volume bruto de mercadorias (GMV), aumento de usuários e de itens vendidos. Em junho do ano passado, a companhia reduziu o valor mínimo para frete grátis de R$ 79 para R$ 19 no país. Cathcart explicou que essa é a terceira redução desde que o frete grátis foi introduzido no Brasil, em 2017, e faz parte de uma estratégia estrutural de quase uma década.

"Estamos fazendo porque temos os dados que mostram que é um dos maiores fatores que traz pessoas do mundo físico para o mundo online", afirmou Cathcart. Ele acrescentou que a presença do e-commerce na América Latina ainda é relativamente baixa em comparação com mercados como Estados Unidos e China, o que representa uma grande oportunidade de crescimento para a companhia.

Mercado Pago e o cartão de crédito

Cathcart também abordou o papel do Mercado Pago nos resultados da companhia. Segundo ele, o cartão de crédito é "uma peça-chave" para a estratégia de se tornar o maior banco digital da América Latina, com operações relevantes no Brasil, México e Argentina. A emissão de cartões supera um milhão por trimestre apenas no Brasil, com métricas de inadimplência que melhoraram ano contra ano.

Sobre o futuro do Mercado Pago em relação ao marketplace, Cathcart foi direto: "A resposta é honesta, não sabemos." Ele reconheceu que o braço financeiro cresce em ritmo mais acelerado do que o marketplace no momento, mas afirmou que ambos os lados da companhia ainda têm muito espaço para crescer, e que os investimentos atuais visam gerar mais engajamento, escala e rentabilidade no longo prazo.

Inteligência artificial já gera resultados

A inteligência artificial também foi tema central da conversa. Cathcart afirmou que a companhia já está capturando benefícios concretos da tecnologia em duas frentes principais: eficiência e produtividade. No atendimento ao cliente, ferramentas de IA já resolvem problemas com maior rapidez e satisfação.

Na área de tecnologia, a produtividade da equipe cresceu entre 7 e 10 vezes mais do que o aumento de 8% no quadro de funcionários registrado no primeiro trimestre.

Além disso, a companhia implementou uma nova arquitetura de busca no marketplace baseada em inteligência artificial, capaz de interpretar a intenção por trás das pesquisas dos usuários, e não apenas as palavras digitadas.

Cathcart disse que esses avanços já estão gerando receita incremental, mas que o potencial da tecnologia ainda está no início.

"Estamos super otimistas com o potencial da tecnologia, porque mesmo só implementando isso ao longo dos últimos 12, 18 meses, já estamos vendo resultados excepcionais", concluiu.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNNClique aqui para saber mais.
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