Projeção de vendas no ano da MRV aliviará alavancagem, diz CFO
Diretor financeiro da construtora detalha resultados do 2º trimestre de 2026 e aponta venda de ativos como catalisador de desalavancagem
A MRV projeta uma redução significativa em sua alavancagem até o final de 2026. Em entrevista ao CNN Money, Ricardo Paixão detalhou os resultados da incorporadora no segundo trimestre do ano e destacou o papel central da geração de caixa e da venda de ativos nesse processo.
A dívida líquida da companhia recuou cerca de R$ 400 milhões desde dezembro, para R$ 5,9 bilhões.
Segundo Paixão, a geração de caixa no primeiro semestre veio, principalmente, da recuperação de margem e do crescimento do volume na operação brasileira, além da aproximação entre o número de unidades produzidas e de repasses.
Outro fator importante foi a venda de portfólio da Resi. No primeiro semestre, a subsidiária realizou cerca de R$ 2 bilhões em vendas, mas boa parte dos recursos ainda não havia ingressado no caixa, já que os contratos dependem da conclusão das operações.
A companhia também considera os efeitos da venda do portfólio da Lugo. Somados, esses movimentos devem provocar uma redução de cerca de 30% no endividamento líquido até o fim de 2026, levando a dívida para aproximadamente R$ 4,6 bilhões.
A projeção não considera novas vendas de ativos da Resi que ainda podem ocorrer neste ano nem uma eventual geração de caixa positiva da operação brasileira no segundo semestre.
Entre as operações mais recentes está a venda, por R$ 170 milhões, de um portfólio da Resi que inclui um projeto em Atlanta e outros cinco terrenos. Os ativos têm cronogramas diferentes para o fechamento das operações: parte deve ser concluída até o fim deste ano, enquanto alguns negócios podem ficar para o início de 2027.
Segundo Paixão, no mais tardar até o fim do primeiro trimestre do próximo ano, todo o impacto dessas vendas deverá estar refletido no caixa e contribuir para a redução do endividamento.
Margem no maior nível desde 2018
A entrevista também abordou a margem da MRV, que atingiu 31,2%, o maior patamar desde 2018. Questionado sobre os fatores que têm permitido à companhia manter os custos abaixo da inflação do setor imobiliário, Paixão apontou duas frentes principais.
A primeira é uma iniciativa de procurement que permite à MRV importar diretamente da China algumas matérias-primas relevantes, ajudando a reduzir o impacto da inflação de materiais. A segunda, e mais determinante, é o ganho de produtividade nos canteiros de obras.
A empresa tem adotado itens pré-fabricados, como kits hidráulicos e elétricos, além de mudanças nos acabamentos que reduzem a necessidade de mão de obra por unidade produzida. Segundo Paixão, esses fatores têm permitido à companhia manter o crescimento dos custos abaixo da inflação.


