Queda na Selic pode ajudar investimentos, diz CEO da Taesa
Rinaldo Pecchio afirma que redução da Selic pode trazer perspectiva mais positiva para investimentos de longo prazo no setor elétrico
A Taesa registrou lucro líquido regulatório de R$ 206,8 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 28,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Divulgado na noite de terça-feira (11), o balanço mostrou um trimestre de forte desempenho operacional, mas pressionado pelas despesas financeiras.
Em entrevista, o CEO da companhia, Rinaldo Pecchio, afirmou que o resultado reflete o crescimento operacional, a entrada de novas operações e a correção dos índices de receita da empresa.
Por outro lado, o lucro foi impactado pelo aumento das despesas financeiras, que somaram cerca de R$ 840 milhões no período. Segundo Pecchio, o cenário está sob controle e dentro do planejamento da companhia.
Apesar da queda no lucro regulatório, os principais indicadores operacionais apresentaram evolução positiva. O Ebitda cresceu 10,6%, para R$ 577,2 milhões, enquanto a receita operacional líquida avançou 9,3% na comparação anual, reforçando a solidez da operação.
Aquisição das transmissoras da Energisa
A Taesa concluiu a aquisição de cinco transmissoras da Energisa por R$ 1,6 bilhão. Considerando o pagamento realizado e o financiamento assumido, o investimento total chega a aproximadamente R$ 2,5 bilhões.
Segundo Pecchio, todos os ativos já estão operacionais e a operação deve acrescentar quase R$ 300 milhões em receitas imediatamente. “É como se a gente tivesse ganho R$ 2,5 bilhões nos leilões”, afirmou.
O financiamento da aquisição foi estruturado com prazo de 18 meses, levando em conta as expectativas para a trajetória dos juros. Nesse período, a companhia pretende avaliar alternativas para alongar a dívida ou substituí-la por outro instrumento financeiro.
Selic e perspectivas para novos investimentos
Pecchio destacou que uma eventual redução da taxa Selic teria dois efeitos principais sobre a companhia. O primeiro seria a melhora da saúde financeira, com impacto positivo no resultado. O segundo estaria relacionado à possibilidade de avaliar novos investimentos com uma perspectiva mais favorável.
“A questão de uma redução de taxa de juros faria com que, de fato, conseguíssemos olhar outros investimentos com um olhar um pouco mais otimista”, afirmou. Segundo ele, os investimentos em infraestrutura são planejados para horizontes de até 30 anos, período correspondente ao prazo das concessões.
Participação em leilão da Aneel é considerada improvável
A Taesa sinalizou baixa probabilidade de participar do próximo leilão de transmissão da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), previsto para outubro de 2026 e estimado em quase R$ 9 bilhões.
Pecchio justificou a decisão pelo atual nível de endividamento da companhia, projetado em pouco mais de quatro vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda. Para o executivo, a aquisição das concessões da Energisa já representa uma grande participação em leilão, e o foco agora é incorporar os novos ativos às operações da empresa. A expectativa é que o nível de endividamento comece a cair a partir do próximo ano.
Sobre o vencimento de concessões de transmissão previsto a partir de 2030, Pecchio reconheceu que haverá uma redução natural de parte da receita, relacionada à remuneração dos investimentos realizados.
A companhia defende uma análise individual de cada concessão, considerando a importância e a criticidade dos ativos, e tem participado das discussões com diferentes fóruns e órgãos governamentais. Segundo Pecchio, a empresa continuará atuando de forma ativa no debate, enquanto mantém os ativos bem operados para fortalecer eventuais pedidos de renovação.


