Teremos forte desalavancagem este ano, diz CEO da Mater Dei
Rede hospitalar prevê nova unidade em São Paulo até 2028 e afirma que crescimento recente reflete maturação de investimentos realizados nos últimos anos
A rede hospitalar Mater Dei registrou lucro líquido ajustado de R$ 36 milhões no primeiro trimestre deste ano, avanço de 80% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o resultado positivo foi de R$ 20 milhões.
O desempenho veio acompanhado de um Ebitda ajustado recorde de R$ 130 milhões, alta de 34,6% na mesma base de comparação.
Em entrevista ao CNN Money, o presidente-executivo da companhia, José Henrique Dias Salvador, atribuiu os resultados à capacidade da rede de extrair valor dos investimentos realizados nos últimos anos.
“Grande parte da nossa exposição de Capex aconteceu nos últimos cinco anos, e ainda havia muito valor a ser destravado”, afirmou.
Segundo ele, a alavancagem operacional foi alcançada sem a necessidade de ampliar o número de leitos, principalmente por meio da maturação de unidades mais recentes, como o Mater Dei Nova Lima e o Mater Dei Salvador.
Estratégia de crescimento e expansão nacional
O executivo destacou que a estratégia prioritária da companhia é consolidar sua presença nas praças onde já atua, sem descartar oportunidades de crescimento inorgânico.
“Nós não descartamos o crescimento também inorgânico”, disse.
Ele ressaltou ainda que a empresa deverá passar por um processo relevante de desalavancagem ao longo deste ano, impulsionado por uma geração de caixa considerada “muito positiva”.
Além disso, a companhia prevê inaugurar, no fim de 2028, uma nova unidade em São Paulo, no bairro de Santana, na zona norte da capital, em parceria com o Bradesco e a Atlântica Hospitais. Caso não haja novas aquisições ou inaugurações até lá, essa será a décima unidade da rede.
Sobre a expansão geográfica, Salvador lembrou que, até 2021, a Mater Dei concentrava suas operações na região metropolitana de Belo Horizonte. Após o IPO, a companhia ampliou sua atuação para outros estados.
Atualmente, a rede possui nove unidades distribuídas em três estados, com presença em cidades como Goiânia, Feira de Santana, Salvador e Uberlândia. São Paulo será o quarto estado a receber uma unidade da rede.
“A gente tem demonstrado nossa capacidade de abrir hospitais fora da região metropolitana de Belo Horizonte”, afirmou.
Relação com operadoras e ambiente macroeconômico
Questionado sobre a tendência de verticalização no setor de saúde, Salvador afirmou que a Mater Dei segue uma estratégia diferente, baseada em parcerias sustentáveis com operadoras de saúde suplementar.
“Nós não seguimos na linha da verticalização, mas na linha de boas parcerias”, declarou.
Na avaliação do executivo, quando cada agente da cadeia se concentra em sua atividade principal, o sistema de saúde se torna mais eficiente.
Sobre o ambiente macroeconômico, ele reconheceu os impactos da Selic elevada sobre os negócios, mas afirmou que a companhia vem administrando sua estrutura de capital com cautela.
Segundo Salvador, o avanço das margens e a melhora do ciclo de receitas tendem a ampliar a geração de caixa e acelerar o processo de desalavancagem.
“Quando isso acontecer, estaremos muito mais preparados, com operações performando e com oportunidade de desalavancar ainda mais rapidamente”, concluiu, ao comentar uma eventual melhora do cenário fiscal brasileiro.


