Veja destaques do primeiro dia do julgamento de Elon Musk contra OpenAI
OpenAI afirma que o processo de Musk visa, na verdade, prejudicar uma concorrente da própria empresa de inteligência artificial dele, a xAI

O bilionário Elon Musk acusa a OpenAI, o CEO da companhia, Sam Altman, e o presidente Greg Brockman de tê-lo enganado e de terem traído a missão original sem fins lucrativos da OpenAI. O caso está sendo tratado em um tribunal em Oakland, na Califórnia.
Musk foi a primeira testemunha a depor nesse processo contra a OpenAI, empresa que fundou com Brockman e Altman, inicialmente como uma entidade sem fins lucrativos, há mais de uma década. Mas, desde então, a estrutura da OpenAI mudou – e Musk, o homem mais rico do mundo, alega que os executivos e a Microsoft se enriqueceram "injustamente ao se desviarem da missão beneficente original da empresa".
A OpenAI afirma que o processo de Musk visa, na verdade, prejudicar uma concorrente da própria empresa de inteligência artificial dele, a xAI.
Abaixo, veja os pontos mais marcantes do primeiro dia de depoimento de Musk na terça-feira (28).
Uma empresa de IA para “beneficiar a humanidade”
Musk testemunhou na terça-feira (28) que acreditava estar financiando uma organização que seria um “benefício para toda a humanidade”.
Ele apresentou o caso em termos alarmantes, argumentando que perder o julgamento “daria carta branca para saquear todas as instituições de caridade dos EUA”. O resultado do julgamento também pode mudar significativamente o cenário da IA justamente quando a OpenAI, uma das empresas de IA mais valiosas do mundo, planeja um IPO gigantesco.
O advogado da OpenAI, William Savitt, apresentou uma versão diferente, alegando que Musk pressionou por uma estrutura com fins lucrativos, mas deixou a empresa quando não conseguiu exercer controle total. Musk teria entrado com o processo para prejudicar a OpenAI depois de fundar a xAI, argumentou Savitt.
"Extremas preocupações" com a IA
Musk explicou por que se envolveu em uma empresa de IA em 2015, dizendo que se preocupava com o potencial da IA há anos.
“Tenho extrema preocupação com a IA”, declarou ele ao júri, observando que ela poderia tornar todos prósperos, “mas também poderia nos matar”.
“Não queremos um desfecho como o de ‘O Exterminador do Futuro’”, apontou ele, aludindo à franquia de filmes sobre uma revolta de robôs contra a humanidade.
Musk comentou que o cofundador do Google, Larry Page, ajudou a inspirar a ideia da OpenAI depois que Musk percebeu que ele "não se importava o suficiente com a segurança da IA".
Musk acrescentou que achava necessário haver “algum tipo de contraponto” ao Google: “uma organização sem fins lucrativos de código aberto em oposição a uma empresa com fins lucrativos de código fechado”.
Mas, desde que a OpenAI criou uma subsidiária com fins lucrativos há mais de seis anos, ela se afastou consideravelmente do modelo de código aberto.
Musk destacou que criou o nome “OpenAI” porque “open” significava “open source” (código aberto).
“A ideia foi minha”
Savitt, o advogado principal da OpenAI, compartilhou que Musk havia prometido ajudar a OpenAI a arrecadar US$ 1 bilhão, mas abandonou a empresa quando não lhe foi concedido o controle total. Ele deixou a empresa à própria sorte, sinalizou Savitt, e "só está processando agora que a OpenAI se mostrou bem-sucedida".
Savitt também sugeriu que, enquanto os outros cofundadores da OpenAI investiram "trabalho árduo", Musk aparecia a cada poucas semanas para dar conselhos e "ocasionalmente gritava com as pessoas por não avançarem rápido o suficiente".
Musk, no entanto, respondeu que teve um papel essencial desde o início.
“Eu tive a ideia, o nome, recrutei as pessoas-chave, ensinei a elas tudo o que sei e forneci o financiamento inicial”, disse ele.
Musk afirmou ter recrutado a maioria dos principais engenheiros da OpenAI e ter sido fundamental para a contratação de Ilya Sutskever, cofundador e ex-cientista-chefe da OpenAI.
Mesmo após Musk renunciar ao conselho da OpenAI, Altman continuou a mantê-lo informado sobre a captação de recursos da divisão com fins lucrativos da empresa de IA, de acordo com Savitt. Na época dessas atualizações, segundo Savitt, Musk não expressou a Altman, Brockman ou à Microsoft qualquer preocupação de que a empresa tivesse se desviado da missão original.



