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    O que é o “dólar azul” da Argentina e por que seu preço é tão volátil

    Cotação da moeda bateu recorde histórico nesta segunda-feira (10) e atingiu a impressionante marca de 1.050 pesos (R$ 15,16) na máxima do dia

    Nota de 100 dólares sobre notas de 100 pesos da Argentina
    Nota de 100 dólares sobre notas de 100 pesos da Argentina Reuters

    Angela Reyesda CNN*

    Dólar azul, dólar paralelo, dólar informal. Se você acompanha as notícias econômicas da Argentina — ou se está planejando uma viagem ao país da América do Sul, sem dúvida se deparou com algumas dessas expressões nos últimos dias.

    E todas significam a mesma coisa: designam o dólar que é negociado fora do circuito formal— pode-se dizer que é o mercado paralelo, mas no caso argentino é o dólar “de rua”.

    Dólar azul, tristemente famoso na história recente da Argentina

    O dólar azul, explica o site de verificação de fatos Chequeado, sempre existiu, à medida em que pessoas queriam fazer operações de compra e venda fora do mercado formal.

    No entanto, em alguns períodos da história recente da Argentina, em que a capacidade dos cidadãos de comprar dólares é legalmente restrita, a moeda se tornou mais importante.

    A primeira foi em 2011, quando a então presidente Cristina Fernández de Kirchner estabeleceu o chamado “cepo cambiario”. Em 2019, seis dias depois de assumir a presidência, Mauricio Macri suspendeu os controles de limite. Mas quatro anos depois ele os impôs novamente.

     

    Devido a esses controles, que são justamente os limites da quantidade de dólares que as pessoas podem adquirir no mercado oficial, os cidadãos argentinos que desejam obter dólares recorrem ao mercado paralelo, onde o preço nessas circunstâncias é menos vantajoso que o oficial (o dólar é mais caro), mas não há restrições.

    Nos últimos dias, porém, com a aproximação das eleições presidenciais e com as incertezas eleitorais, a moeda passou a subir de forma desenfreada e atingiu recorde histórico nesta terça-feira (10), com negociações que chegaram à impressionante marca de 1.050 pesos (R$ 15,16) na máxima do dia, segundo o jornal Clarín.

    Os argentinos estão correndo e trocando pesos por dólares com temor pela desvalorização da moeda nacional do país.

    Os números embutem as incertezas sobre o pleito marcado para o próximo dia 22 de outubro.

    Investidores temem que uma vitória da chapa governista mantenha a política fiscal expansionista adotada pelo presidente Alberto Fernández, enquanto analistas pedem a adoção de ajustes fiscais.

    O governo, por sua vez, reforçou seus controles cambiais, em uma tentativa de controlar o comércio paralelo de moeda estrangeira.

    Entre as medidas, a Casa Rosada estabeleceu um prazo mínimo de permanência de cinco dias úteis para a venda de valores mobiliários negociáveis emitidos sob legislação estrangeira e que tenham liquidação em moeda estrangeira. O mesmo prazo vale para realização de envio e recebimento de transferências.

    No caso de uma transferência recebida (do exterior para a Argentina) será necessário aguardar o término do período para liquidá-la.

    Coro de vozes no calçadão da rua Florida

    “Cambio, cambio, cambio”. Quando você caminha pelo famoso calçadão da rua Florida, na cidade de Buenos Aires, você ouve essas palavras sem parar. Depois de um tempo, parece um coro de vozes que, de lugares diferentes, estão fazendo a mesma oferta: para vender seus dólares a eles.

    Para os turistas que chegam ao país acontece a situação oposta: o dólar azul é o preço que melhor lhes convém, porque se optarem por ele, agora receberão mais pesos por cada um dos dólares.

    Altas e baixas do dólar azul

    Como o dólar azul pode oscilar? A resposta, dizem os analistas consultados pela CNN, leva em consideração um contexto em que alguns fatores são combinados.

    Um deles é a inflação alta, que até o momento acumulou 124,4% em agosto, segundo o Indec (Instituto Nacional de Estatísticas da Argentina).

    Segundo Eugenio Marí, economista da Fundación Libertad y Progreso, as variações respondem a “uma crescente desconfiança no peso e na capacidade do governo de avançar para equilíbrios macroeconômicos que reduzam o risco”, além da oferta e demanda.

    Veja também: Dólar dispara na Argentina após resultado das urnas

    *Com informações de Ignacio Grimaldi, Juan Pablo Varsky, Nacho Girón e Emiliano Giménez, da CNN e da agência Reuters.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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