Pandemia deixará mais de 200 milhões de desempregados até 2022, diz OIT

Levantamento aponta expectativa de perda de 205 milhões de empregos até o fim de 2022. Países latino americanos estão entre os mais atingidos

Lucas Janone, da CNN, no Rio de Janeiro
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Um levantamento realizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que a crise econômica provocada pela pandemia de Covid-19 deve durar pelo menos até 2023, impulsionada pelo alto desemprego dos próximos dois anos.

Conforme o cálculo feito pela OIT, divulgado nesta quarta-feira (2), a expectativa é que 205 milhões de empregos sejam perdidos até o fim de 2022. A pesquisa mostra ainda que, apenas em 2020, mais de 187 milhões de pessoas perderam seus postos de trabalho.

“A pandemia de Covid 19 causou transtornos sem paralelo em todo o mundo através de seu impacto devastador na saúde pública, no emprego e na subsistência. Governos e organizações trabalhistas precisam tomar medidas para enfrentar a crise, preservar empregos e proteger a renda”, destaca o documento.

Um trecho do relatório "Emprego Global e Panorama Social: Tendências em 2021" obtido pela CNN esclarece que “o crescimento do emprego projetado será insuficiente para fechar as lacunas abertas pela crise da Covid-19 por pelo menos dois anos”.

Entretanto, a relação entre as vagas de trabalho perdidas e os empregos criados vem diminuindo. O levantamento projeta que a "lacuna de empregos" chegará a 75 milhões em 2021, antes de cair para 23 milhões em 2022. Dessa forma, a criação de novos postos de trabalho só deve superar o desemprego em 2023.

Efeitos da pandemia no Brasil

O estudo realizado pela OIT apontou ainda que a América Latina está entre as regiões que mais foram atingidas pela crise econômica provocada pela pandemia. Segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Renan Pieri, o motivo está na distribuição dos setores econômicos.

“Os países da América Latina possuem uma grande dependência do setor de comércio e serviços, dado que a indústria está em uma situação complicada, perdendo cada vez mais competitividade, e o setor agrícola gera pouco emprego", afirmou.

Segundo Pieri, um dos setores mais afetados pela crise econômica foi o varejo.

"Vale lembrar que o principal efeito econômico da Covid-19 foi restringir o varejo, causando um grande impacto nas vendas e, consequentemente, ocasionando demissões".

Já o diretor do Instituto Brasileiro de Direito Social e sócio do BMA Advogados, Luiz Marcelo Góis, foi além e explicou que os efeitos causados pela Covid-19 foram mais visíveis em países emergentes, em comparação com regiões já desenvolvidas. E ressaltou que o repasse de verbas para políticas públicas se torna cada vez mais importante.

"Esse retrato global apresentado pela OIT demonstra um sinal de alerta para a recuperação estrutural. Na comparação com países desenvolvidos, fica ainda mais evidente a urgência para países em desenvolvimento, como o Brasil, em reforçar as políticas públicas”, finalizou.

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