Petrobras propõe mudança, mercado teme interferência política e ação derrete 6%

Possibilidade de alteração do processo para a indicação e nomeação do alto escalão da estatal gera arrepios nos investidores que perderam bilhões de reais nos últimos anos com os problemas na governança da estatal

Fernando Nakagawa, da CNN, São Paulo
Compartilhar matéria

O pesadelo da possibilidade de interferência política na maior empresa brasileira parece ter voltado.

Um comunicado da Petrobras divulgado nesta segunda-feira (23) aos investidores despertou uma onda de pessimismo e preocupação no mercado financeiro. Em comunicado, a estatal diz que o Conselho da empresa aprovou a revisão da “Política de Indicação de Membros da Alta Administração e do Conselho Fiscal”. O novo texto será submetido à aprovação dos acionistas.

A possibilidade de alteração do processo para a indicação e nomeação do alto escalão da estatal gera arrepios nos investidores que perderam bilhões de reais nos últimos anos com os problemas na governança da Petrobras.

O temor é que a empresa passe a contar com dirigentes políticos – e não técnicos. Isso poderia levar a empresa a decisões equivocadas e, em última instância, abriria brechas para a corrupção.

Analistas internacionais já acenderam a luz amarela. Grandes bancos estrangeiros, como o Goldman Sachs e o Citi, alertam que mudanças nos critérios para indicação poderiam abrir espaço para influência política na estatal. Também há risco de a criação de uma reserva de lucros, o que poderia diminuir o pagamento de dividendos.

A reação do investidor foi incontestável. Na bolsa de valores, as ações da estatal caíram mais de 6% nesta segunda-feira.

Petrobras esclarece

Após a sangria das ações, a Petrobras divulgou uma nota para esclarecer que a proposta de mudança “tem por objetivo alinhar o Estatuto ao disposto na Lei nº 13.303/2016 quaisquer que venham a ser as decisões judiciais a respeito do tema”.

Em nota à imprensa, a Petrobras diz que o estatuto social da empresa faz referência, no artigo 21, aos requisitos determinados pela Lei das Estatais.

“A proposta a ser deliberada em AGE, ainda a ser convocada, mantém todos os requisitos previstos na Lei das Estatais nas indicações de membros da administração, retirando somente o parágrafo segundo do mesmo artigo 21 do Estatuto Social, que reproduzia o conteúdo de cada um dos incisos do art. 17, parágrafo segundo, da referida lei”, cita a empresa em comunicado.

A Petrobras argumenta que “o objetivo é tão somente manter o Estatuto Social da Petrobras atualizado, quaisquer que venham a ser as decisões judiciais sobre o tema”. “Não há qualquer redução nas exigências em relação à Lei das Estatais, pois o Estatuto Social continua a fixar o cumprimento total da Lei das Estatais nas indicações, conforme estabelecido em seu artigo 21”, diz a empresa.

Veja também - Petrobras eleva preço médio do diesel e reduz gasolina

Acompanhe Economia nas Redes Sociais