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    Pix, Real Digital, Open Finance: BC quer integrar serviços em sistema único

    Intenção do Banco Central é integrar os produtos dentro de uma única plataforma até 2024, com a possibilidade de realizar transações internacionais instantâneas, em um processo de "finanças sem fronteiras"

    Bancos centrais globais têm intensificado esforços para desenvolver suas próprias moedas digitais para modernizar os sistemas financeiros e acelerar os pagamentos
    Bancos centrais globais têm intensificado esforços para desenvolver suas próprias moedas digitais para modernizar os sistemas financeiros e acelerar os pagamentos Getty Images

    Fabrício Juliãodo CNN Brasil Business

    em São Paulo

    As mais recentes novidades anunciadas pelo Banco Central de serviços financeiros digitalizados e modernizados, como o Pix, Open Banking e Open Finance, além do Real Digital, que ainda está sendo estudado, devem ser integrados em uma única plataforma até 2024, de acordo com panos do banco. Para especialistas, esse será um importante passo no sistema financeiro do Brasil.

    Além da facilidade de usar os serviços, a ideia do Banco Central é que o sistema integrado permita ofertas personalizadas e melhores descontos aos clientes, a otimização do tempo do usuário com todas as contas em bancos, fintechs ou cooperativas embutidas em um único sistema, e a possibilidade de realizar pagamentos instantâneos para o outros países, uma espécie de “Pix Internacional”. Mas para entender como tudo isso funcionará de forma integrada, é preciso compreender suas aplicações individuais.

    Lançado em fevereiro de 2020, o Pix rapidamente se consolidou como método de pagamento instantâneo dos brasileiros. Até agosto deste ano, foram feitas mais de 14 bilhões de transações com a ferramenta, sendo que o total ultrapassa R$ 7,5 trilhões. Os números revelam a popularidade do Pix nesses dois anos, dando confiança ao BC para outras duas iniciativas: Open Banking e Open Finance.

    O primeiro deles trata da abertura do usuário para um sistema de compartilhamento de dados bancários entre as instituições financeiras reguladas. A partir deste movimento, o cliente poderá receber ofertas de acordo com suas demandas e perfil. A primeira fase do Open Banking teve início em 1º de fevereiro de 2021, enquanto a última entrou em funcionamento em 15 de dezembro do mesmo ano.

    A quarta e última fase do Open Banking dá início ao Open Finance, que amplia o compartilhamento de dados para melhorias nos serviços bancários para todos os serviços financeiros que uma pessoa pode contratar. Isso inclui produtos de investimentos, seguros, previdência, câmbio, serviços de credenciamento e outros. Portanto, além das instituições financeiras, as corretoras e seguradoras também poderão ter acesso às informações dos clientes que consentirem, com o objetivo de ofertar os melhores produtos para aquela pessoa.

    Sistema integrado

    De acordo com Roberto Campos Neto, o Banco Central trabalha para que todos os serviços destacados acima estejam contidos em uma única plataforma, otimizando assim a experiência do usuário com os serviços financeiros e poupando tempo.

    “Não é razoável imaginar que daqui há 3, 4 ou 5 anos as pessoas ainda vão ter que abrir individualmente os aplicativos dos bancos que têm conta. Isso não vai acontecer, vai ser tudo integrado. Vamos bancarizar o sistema financeiro”, declarou.

    Ilustração de um aplicativo integrado que contém as contas de um usuário em três bancos, além de mostrar os serviços disponibilizados pelo BC
    Ilustração de um aplicativo integrado que contém as contas de um usuário em três bancos, além de mostrar os serviços disponibilizados pelo BC / Divulgação/BC

    A ilustração acima mostra como o Banco Central imagina que deverão ser os aplicativos das instituições financeiras no futuro. Eles vão conter as contas que o usuário tem em outros bancos, além de espaços relativos às ofertas de crédito possíveis graças ao Open Banking, e aos investimentos devido ao Open Finance, além de outros serviços. O BC também informou que será possível realizar os serviços de forma off-line.

    Portanto, a partir de um único aplicativo, o usuário vai conseguir acessar todas as suas finanças e realizar pagamentos diretamente da plataforma, sem precisar deixar o app para buscar informações ou formalizar transações em outros lugares.

    “Existe uma forte demanda pela globalização. É preciso colocar os clientes dentro de uma plataforma integrada e globalizada porque, quando essa chave virar, tornará um modelo de ‘todos para todos’ e não mais ‘um para todos'”, afirma Wagner Martin, VP de Negócios da Veritran, plataforma de soluções digitais.

    Campos Neto fez questão de mencionar, durante sua palestra na Febraban Tech 2022, na última quinta-feira (11), que os bancos fazem parte do processo para desenvolver o sistema com a integração dos serviços financeiros.

    “Não queremos que ninguém perca dinheiro, não é sobre quem está ganhando e quem está perdendo. Queremos que os bancos sejam uma fatia menor de um bolo que será muito maior”, afirmou o presidente do BC.

    Real Digital

    O Real Digital é a última etapa desse processo. A criação da versão digital da moeda física, tecnicamente chamada de CBDC (Central Bank Digital Currency), começou a ser viabilizada em 2021, com a criação de um laboratório de ideias pela Federação Nacional de Associações dos Servidores do Banco Central (Fenasbac) chamado Lift Challenge.

    O Lift Challenge Real Digital selecionou 9 projetos para acompanhamento, que deverão ser desenvolvidos para viabilizar a moeda virtual brasileira o quanto antes. Durante a Febraban Tech 2022, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que espera que o projeto esteja pronto em 2024. Ao CNN Brasil Business, Rodrigoh Henriques, líder de inovações financeiras da Fenasbac, afirmou ser possível implementar o Real Digital na data estipulada.

    “A ideia de uma CBDC brasileira traz muitos benefícios para a sociedade, para o sistema financeiro, bancos, fintechs e cooperativas de crédito. Mesmo ajustando o calendário, a gente tem tempo para executar o Lift Challenge, estudar os nove casos de uso aprovados e já na virada do ano partir para uma fase de teste de campo, não necessariamente só com esses nove, mas podemos expandir outros projetos, protocolos e ideias de uso. Com isso feito, esperamos no fim de 2023 já nos prepararmos para em 2024 começar a operar com uma moeda digital no Brasil”, destacou.

    Rodrigoh explicou que houve um atraso no calendário devido à paralisação dos servidores do Banco Central no meio do ano. Inicialmente, a execução dos projetos tinha prazo até 29 de julho, mas por conta da greve ela deve ocorrer até dezembro. O especialista disse que os testes devem ter início em fevereiro de 2023, com previsão de serem encerrados até o final do ano.

    Conforme disse Roberto Campos Neto, o Real Digital não está sendo projetado para ser como outras CBDCs. O presidente do BC explicou que as moedas virtuais em desenvolvimento por outros países tem como finalidade possibilitar pagamentos instantâneos, mas o Brasil já consegue realizar esse tipo de transferência imediata por meio do Pix.

    “Pensamos que o sistema tem que ser programado, assim como o Pix. Mas nossa moeda digital vai ser um depósito tokenizado, com muitas possibilidades para o futuro”, destacou.

    Rodrigoh Henriques declarou que o sistema vai permitir que os usuários criem carteiras inteligentes, com o objetivo de realizar transações em contratos digitais. Na prática, isso significa que um cidadão que tiver interesse em comprar o carro de um terceiro poderá elaborar um contrato digital e alocar os valores do real digital, por exemplo.

    “Vamos criar uma moeda digital diferente da de outros países porque a gente já solucionou várias coisas que eles ainda não conseguiram. Portanto, a gente tem uma moeda digital que já nasce muito mais evoluída que a dos outros”, afirmou.

    “Tem muito país criando moeda digital para fazer pagamento instantâneo, e isso a gente já resolveu. Nós acreditamos que o que vamos conseguir com a criação da moeda digital brasileira é uma discussão privilegiada entre interoperabilidade e padrão. Países como Colômbia, Argentina e Peru estão olhando como estamos fazendo com o Real Digital. Então, provavelmente devemos ter uma padronização no Mercosul, igual ou muito parecido com o sistema brasileiro. Largamos na frente com a moeda digital”, acrescentou.