Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Preconceito: 42% das empreendedoras já sofreram ou conhecem mulheres vítimas de discriminação

    Pesquisa evidenciou também que mulheres têm menos apoio para abrir ou gerir pequenas empresas

    Mulheres dizem que todas as dificuldades do preconceito foram se transformando em oportunidades
    Mulheres dizem que todas as dificuldades do preconceito foram se transformando em oportunidades Foto: UnSplash

    Taísa Medeirosda CNN

    Brasília

    A pesquisa Empreendedorismo Feminino, realizada pelo Sebrae, identificou que 42% das empreendedoras brasileiras já presenciaram situações de preconceito contra outra mulher dona de negócio e 25% já sofreram na própria pele atitudes discriminatórias.

    Foi o caso de Siomara Damasceno de Oliveira, que tem uma loja de materiais de construção há mais de duas décadas na região de Vicente Pires, no Distrito Federal. Por ser um segmento predominantemente masculino, Siomara, que começou a trabalhar no ramo aos 15 anos quando ganhou a loja do pai, sentiu o impacto dos comentários.

    Além da inexperiência, eu era muito jovem e mulher. O que eu mais ouvia é que eu não sabia o que eu estava falando, eu não entendia o que eu estava vendendo

    Siomara Damasceno de Oliveira

    A solução foi estudar com afinco para dominar o tema. “Da mesma forma que eu estudava pro colégio, eu estudei materiais de construção. Eu estudei ângulos, estudei nomes técnicos, sobre elétrica, amperagem”, exemplifica Siomara.

    Para ela, todas as dificuldades do preconceito foram se transformando em oportunidades. “Eu sou a única empresária da família. Já quebrei, já me reergui, já passei pelo Sebrae, mas eu não desisti”, relembra.

    Siomara reconhece que, apesar dos avanços, ainda há preconceito com as empreendedoras, especialmente em ramos predominantemente masculinos.

    “Acho que hoje acontece discriminação de forma um pouco mais velada. Participei de uma feira de materiais de construção e fiquei três dias respondendo onde estava meu marido. Porque ninguém acreditava que eu era a dona da minha loja. Vejo que os homens têm muita dificuldade de aceitar”, desabafa.

    Pesquisa

    O levantamento divulgado pelo Sebrae mostra que a região onde houve maior proporção de mulheres donas de negócio que identificaram atitudes preconceituosas foi a região Sul (47%), seguida por Nordeste e Centro-Oeste (42), Norte (41%) e Sudeste (39%).

    O estado do Amapá teve o maior número de citações (56%), com Paraná (53%) e Rio Grande do Norte (51%), na sequência.

    A diretora de Administração e Finanças do Sebrae, Margarete Coelho, reconhece que os resultados da pesquisa são reveladores, especialmente quando se compara com o universo masculino do empreendedorismo.

    “Me chamou atenção o achado, a confirmação de que as mulheres dedicam muito menos tempo aos seus negócios do que os homens: cerca de 17% de horas a menos do que eles”, destaca. “Talvez por isso, mesmo tendo uma melhor escolaridade do que eles, seus negócios rendam menos”.

    Empreender por necessidade

    O empreendedorismo feminino não pode ser dissociado da necessidade. Pela alta demanda de afazeres domésticos vivenciados pelas mulheres, muitas vezes é tendo o próprio negócio que conseguirão desdobrar tempo de qualidade para o cuidado da casa e dos filhos.

    Segundo a pesquisa do Sebrae, 68% das mulheres ouvidas disseram que cuidar dos filhos influenciou muito na sua decisão de empreender, enquanto apenas 56% dos homens considerou esse requisito quando da sua decisão. “Isso revela que mais da metade das mulheres empreendem por necessidade, e não por oportunidade”, conclui Margarete.

    Diante disso, a pesquisa evidenciou também que mulheres têm menos apoio para abrir ou gerir pequenas empresas. Homens recebem de cônjuge, amigos, pais e fornecedores apoio maior se comparado ao suporte recebido pelas empreendedoras.

    No grupo de quem já tem um negócio em operação, a diferença é ainda mais significativa – aqui, o apoio dedicado pelos fornecedores às mulheres é 9 pontos percentuais inferior ao recebido pelos homens.

    Chama atenção também o maior apoio recebido pelos empreendedores (12%) por parte das prefeituras em comparação com o suporte dedicado pelas gestões municipais às mulheres (8%). “Esses dados mostram que a cultura machista ainda privilegia os homens na atividade empreendedora, assim como em outros segmentos da economia e da sociedade”, enfatiza Margarete.

    Tópicos

    Tópicos