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    Preços do petróleo disparam mais de 6% após anúncio inesperado de cortes de produção

    Países produtores de Petróleo informaram no domingo que vão reduzir voluntariamente suas respectivas produções

    Michelle TohMohammed TawfeeqAnna Coobanda CNN

    Hong Kong/Atlanta/Londres

    O petróleo avançou mais de 6% na sessão desta segunda-feira (3), após anúncio de cortes na produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+).

    No domingo, o grupo informou que iria cortar sua produção, o que foi ratificado em comunicado hoje, com a redução totalizando 1,66 milhão de barris por dia (bpd). Analistas apontam que a medida oferece de fato suporte aos preços, além de ampliar a possibilidade de déficit na oferta global da commodity.

    Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio subiu 6,28% (US$ 4,75), a US$ 80,42 o barril, enquanto o Brent para junho, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), teve ganho de 6,31% (US$ 5,04), a US$ 84,93 o barril.

    Na visão da Oanda, a decisão da Opep reflete que a organização está disposta a oferecer suporte aos preços do óleo acima do nível de US$ 80 o barril.

    “Claramente, os sauditas não estavam confortáveis com a queda dos preços do petróleo e queriam enviar uma mensagem aos mercados”, avalia o analista Edward Moya, da Oanda. Moya acredita que projeções para o preço do petróleo devem aumentar e prevê tendência de alta até o nível US$ 100.

    O Bank of America (BofA) também sustenta esta perspectiva, relembrando que a Arábia Saudita já descreveu anteriormente a Opep como “reguladora dos mercados de petróleo”.

    Ademais, o Citi ressalta que esta não deve ser a “última mudança na produção” realizada pela Opep e aliados neste ano. Para o banco, o corte extra aperta o equilíbrio para o petróleo global em 2023.

    Contudo, existe a expectativa de que um aumento na produção leve a uma grande recomposição dos estoques em 2024, considerando que o equilíbrio do mercado também deve estar nas mãos da Opep+ no próximo ano, avalia o Citi.

    Em relatório, o banco ainda analisa que o aumento acentuado nos preços de energia sugere tendência de alta para a inflação dos Estados Unidos nos próximos meses, o que poderia ter consequências para a política monetária do Federal Reserve (Fed).

    Em entrevista à Bloomberg, o presidente da distrital do Fed em St. Louis, James Bullard, afirmou que o banco central americano terá que elevar os juros acima de 5% em razão da inflação persistente. Sobre a decisão da Opep, Bullard relatou que ainda é incerto qual será o impacto desta decisão no longo prazo.

    Hoje, O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby, criticou os cortes de produção da Opep+, destacando que o governo está focado nos preços. “Não achamos que os cortes de produção são aconselháveis neste momento, dada a incerteza do mercado, e deixamos isso claro”, comentou.

    Durante o final de semana, a Associated Press reportou que o Japão comprou cerca de 748 mil barris de petróleo russo nos dois primeiros meses deste ano, pagando pouco menos de US$ 70 o barril.

    O valor supera o teto de US$ 60 estipulado pelos Estados Unidos e aliados para limitar o financiamento da Rússia na guerra contra a Ucrânia. A compra foi autorizada pelos Estados Unidos, mas analistas apontam que reflete a dependência japonesa da Rússia para combustíveis fósseis.

    Os preços do petróleo caíram para US$ 73 e US$ 67 o barril, respectivamente, na semana seguinte ao colapso do Silicon Valley Bank nos Estados Unidos em 10 de março, quando a turbulência se espalhou para o setor bancário em geral, aumentando os temores de uma recessão global.

    Com os preços do petróleo subindo, a inflação pode permanecer alta por mais tempo, aumentando a pressão sobre um assunto polêmico para os consumidores em todo o mundo.

    “O desenvolvimento é um golpe para a inflação”, disse Sophie Lund-Yates, principal analista de ações da Hargreaves Lansdown, em nota na segunda-feira. “Os mercados estão cientes de que, se a pressão continuar, os bancos centrais precisarão estender ou fortalecer seus ciclos de alta nas taxas de juros.”

    No domingo, a Arábia Saudita disse que iniciaria “uma redução voluntária” em sua produção de petróleo bruto, ao lado de outros membros ou aliados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

    Os cortes começarão em maio e durarão até o final do ano, disse um funcionário do Ministério de Energia saudita, segundo a agência de notícias estatal do país SPA.

    As reduções se somam às anunciadas pela Opep+ em outubro, segundo a SPA.

    Naquele mês, os produtores de petróleo concordaram em reduzir a produção em 2 milhões de barris por dia, o maior corte desde o início da pandemia e equivalente a cerca de 2% da demanda global de petróleo.

    A Arábia Saudita agora diz que reduzirá a produção em mais meio milhão de barris por dia.

    Enquanto isso, o Iraque diminuirá em 211 mil barris por dia e os Emirados Árabes Unidos, em 144 mil.

    Kuwait, Argélia e Omã também reduzirão a produção em 128 mil, 48 mil e 40 mil barris por dia, respectivamente.

    As ações das gigantes do petróleo subiram nesta segunda-feira, com a Shell tendo ganho de 4,21%, a BP subindo 4,64% e a francesa TotalEnergies subindo 4,56%.

    Medida preventiva

    Em nota no domingo, os analistas do Goldman Sachs disseram que o movimento da Opep+ foi inesperado, mas “consistente com a nova doutrina da Opep+ de agir preventivamente porque podem, sem perdas significativas de participação de mercado”.

    A produção coletiva cortada pelos nove membros da Opep+ totaliza 1,66 milhão de barris por dia, disseram os analistas. Eles aumentaram sua previsão de preços ao Brent em dezembro para US$ 95 por barril.

    O ministério de energia da Arábia Saudita descreveu sua última redução como uma medida de precaução destinada a apoiar a estabilidade dos mercados de petróleo, segundo a SPA.

    A Casa Branca recuou nessa noção – assim como nos últimos cortes da Opep+.

    “Não achamos que cortes sejam aconselháveis ​​neste momento devido à incerteza do mercado – e deixamos isso claro”, falou um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional. “Estamos focados em preços para consumidores americanos, não em barris.”

    Em outubro, a decisão da Opep+ de cortar a produção já havia irritado a Casa Branca.

    O presidente dos EUA, Joe Biden, prometeu na época que a Arábia Saudita sofreria “consequências”. Mas até agora, seu governo parece ter desistido de suas promessas de punir o reino do Oriente Médio.

    A Rússia, membro da Opep+, também disse no domingo que estenderia uma redução voluntária de 500 mil barris por dia até o final de 2023. A medida foi anunciada pelo vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak, conforme citado pela agência de notícias estatal russa TASS.

    Essa decisão foi menos surpreendente. Analistas do Goldman disseram que previram que o corte duraria até o segundo semestre do ano.

    *Com informações de Estadão Conteúdo

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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