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    Sessões extras e combos esgotados: como os cinemas brasileiros sentiram impacto de Barbie

    Salas de exibição de rede e de rua mudam operações para atender à audiência do filme, mas encaram sucesso como "resultado isolado"

    Carro de "Barbie" em exibição no cinema do Litoral Plaza Shopping, em Praia Grande (SP), onde 15 mil pessoas assistiram ao filme no fim de semana de estreia
    Carro de "Barbie" em exibição no cinema do Litoral Plaza Shopping, em Praia Grande (SP), onde 15 mil pessoas assistiram ao filme no fim de semana de estreia Divulgação / Cinesystem

    Leonardo Rodriguesda CNN

    São Paulo

    Os cinemas brasileiros estão mais cheios desde o dia 20 de julho. Bastou uma semana em cartaz para “Barbie” levar sete milhões de pessoas às salas, o que fez o mercado exibidor alterar suas expectativas para 2023 e, ainda que pontualmente, voltar ao cenário do cenário pré-pandemia.

    A CNN teve acesso aos dados sobre a exibição do filme no Brasil e ouviu cinemas de rede, de rua e a Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex (Abraplex) para entender seu impacto no setor.

    Um mercado cor de rosa

    “Nosso espaço ficou ‘pintado’ de rosa, com o público a caráter para ver ‘Barbie’. Não víamos algo assim acontecer há muito tempo”, relata Juliana Brito, diretora-executiva do Belas Artes.

    Com seis salas e 1.029 lugares, o endereço na rua da Consolação é um dos principais cinemas de rua de São Paulo. Ainda assim, diz ela, o lançamento expandiu a clientela local.

    “Recebemos pessoas que nunca vieram aqui”.

    A Abraplex informa que, entre janeiro e maio deste ano, 46,6 milhões de ingressos foram vendidos no país. A semana de maior sucesso no período, que foi de 9 a 15 de fevereiro, registrou 3,7 milhões de público e gerou R$ 41,9 milhões, segundo dados do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (Oca), vinculado à Agência Nacional do Cinema (Ancine).

    No recorte de sete dias, “Barbie” teve quase o dobro de espectadores e arrecadou mais de R$ 131 milhões – ainda que o preço médio do ingresso no Brasil tenha tido um aumento de R$ 11,30 para R$ 19,53 no período, conforme os dados do Oca.

    De acordo com a Abraplex, considerando ainda os números de “Oppenheimer”, que estreou na mesma data, “é como se cada cinema no país recebesse, em média, 10 mil pessoas em sete dias” para assistir aos filmes.

    Samara Vilvert, gerente de marketing e produtos da Cinesystem, diz que, no final de semana anterior à estreia de “Barbie”, a rede recebeu cerca de 60 mil pessoas em suas 26 unidades, espalhadas em 10 estados do país, que somam 30 mil lugares.

    De 20 a 23 de julho, foram mais de 238 mil clientes – aumento de 395%. Ela destaca o melhor resultado da rede, obtido no Litoral Plaza Shopping, em Praia Grande, onde 15.778 ingressos para a produção foram vendidos no período.

    Além das bilheterias, o presidente da associação, Marcos Barros, afirma que há um “efeito cascata” em curso.

    “Não apenas as salas de exibição ficaram lotadas, mas toda a cadeia, desde o estacionamento até a praça de alimentação dos shoppings”.

    Na Cinesystem, o combo promocional da boneca esgotou em dois dias. Segundo a gerente, o estoque é, normalmente, “comercializado em até três semanas”.

    Cinemark, Cinépolis, Cineflix, Kinoplex e UCI foram outras das principais companhias brasileiras do setor a comercializar produtos dedicados ao longa-metragem.

    VÍDEO — “Barbie” arrecada quase R$ 23 milhões em dois dias no Brasil

    Cinemas preparados para a multidão

    Com os estoques repostos, a Cinesystem aposta na solidez do sucesso de “Barbie”, e mantém uma equipe ampliada em suas unidades.

    “Assim como em outras épocas de grande fluxo, aumentamos em 40% o nosso quadro de atendentes e equipe de limpeza com convocação de meio período”, diz Samara.

    No primeiro final de semana, a rede ainda adicionou sessões antes do horário habitual de funcionamento.

    No Belas Artes, o tradicional “Noitão”, sessão especial que o cinema promove nas madrugadas de sexta-feira, foi dedicado à produção estrelada por Margot Robbie e a “Oppenheimer” na semana de suas estreias.

    Juliana Brito conta que a pré-venda dessa edição se popularizou nas redes sociais e os ingressos se esgotaram rapidamente. Para atender à demanda, o cinema organizou “noitões” extras, nas madrugadas de quinta-feira (20) e sábado (22), em duas salas.

    “O público pedia, na porta, por mais ingressos. O ‘Noitão’ existe há mais de 20 anos, e essa foi a edição de maior sucesso, com sobras”, relata a diretora-executiva.

    Devido ao cenário econômico atravessado pelos cinemas desde a pandemia da Covid-19, o Belas Artes não incrementou sua equipe, mas fez ajustes.

    “Houve um estudo operacional para preparar o cinema, em especial na entrada e na saída das sessões e na bomboniére, para atender esse contingente”, diz Juliana.

    Para ela, o circuito de exibição, como um todo, “precisava desse movimento”. Juliana ressalta, contudo, que esse mercado tem “um longo caminho até recuperar o terreno perdido na pandemia”.

    Na mesma linha, a gerente da Cinesystem conclui que o sucesso de “Barbie” ainda é um resultado isolado.

    “O setor exibidor foi altamente impactado pela pandemia e a consequente falta de filmes. O número atual de lançamentos é 30% inferior ao do cenário pré-pandêmico”.

    A Abraplex projeta que os cinemas brasileiros cheguem a 100 milhões de pessoas nas salas até o final de 2023. A média anual de 2017 a 2019 era de 170 milhões.

    Ao observar esse fenômeno de audiência e mobilização, a associação acredita que o setor “está se recuperando”.

    CNN entrou em contato com Cinépolis e UCI, que não responderam aos questionamentos até o fechamento da reportagem. A Cinemark disse não comentar questões que considera estratégicas.

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