UNFCCC faz alerta sobre urgência climática e destaca importância da COP30
Secretário da UNFCCC diz que mundo deve "reconhecer, reafirmar e responder" no caminho até Belém

O secretário-executivo da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC), Simon Stiell, afirmou nesta segunda-feira (22), em Nova York, que a COP30 será um teste decisivo para medir a capacidade dos países de transformar compromissos em implementação real. Em discurso durante a abertura da Semana do Clima, ele disse que a “nova era da ação climática” precisa aproximar decisões políticas e empresariais da vida cotidiana das pessoas.
“Conectar os gabinetes aos conselhos de administração e às salas de estar é como podemos turbinar a ação climática e fazer esse trabalho”, disse. Para Stiell, a agenda deve avançar não apenas em negociações, mas em resultados concretos: “O desafio agora é levar as ferramentas já existentes para todos os países, setor por setor, e acelerar a implementação.”
Ele ressaltou que o mundo já construiu uma base importante com o Acordo de Paris, e citou como exemplo o avanço nas energias renováveis. “O investimento em renováveis aumentou dez vezes em dez anos. A transição de energia limpa está crescendo em quase todas as grandes economias e atingiu US$ 2 trilhões só no ano passado”, afirmou. Mas advertiu que esse movimento “é desigual” e que seus “enormes benefícios ainda não são compartilhados por todos”.
Stiell defendeu que a COP30, em Belém, precisa responder a três pontos principais: a situação das NDCs — as metas nacionais de redução de emissões para 2035 —, a implementação do roteiro de US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático e a garantia de que nenhum país ou população vulnerável fique para trás.
“A COP30 deve mostrar que o multilateralismo climático continua a entregar resultados, com avanços em todas as negociações”, afirmou.
O secretário também anunciou apoio à iniciativa Build Clean Now, lançada em Nova York para acelerar a transformação industrial com foco em energia limpa. “Nos próximos cinco anos podemos liberar um enorme progresso — impulsionado por inovadores e empreendedores, com governos alinhados a Paris, criando milhões de bons empregos”, disse.
Outro ponto foi a inteligência artificial. “A IA não é uma solução pronta e traz riscos. Mas também pode ser uma virada de jogo”, afirmou. Ele defendeu que grandes plataformas sejam alimentadas por energia renovável e usadas para aumentar a eficiência.
“O mais importante é o poder da IA de gerar resultados reais: gerenciar microrredes, mapear riscos climáticos, orientar planejamentos resilientes. E isso é apenas o começo.”
Stiell destacou que, sem cooperação internacional, o planeta estaria caminhando para um aquecimento de 5 °C. “Hoje estamos mais perto de 3°C. Ainda é muito, mas a curva começou a se inclinar. Agora precisamos dobrar o ritmo para manter vivo o limite de 1,5°C”, afirmou.
Ele concluiu pedindo foco nos próximos passos até Belém. “O mundo precisa reconhecer os avanços, reafirmar compromissos e responder com resultados concretos. Esse é o caminho para, através e além da COP30.”


