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    Vai ter imposto? O que se sabe sobre os planos do governo para compras online em sites internacionais

    Isenção de imposto em encomendas internacionais de até US$ 50 gerou muitas dúvidas no consumidor

    Haddad estima arrecadar até R$ 8 bilhões por ano com a tributação
    Haddad estima arrecadar até R$ 8 bilhões por ano com a tributação Pexels/Negative Space

    Diego Mendesda CNN

    São Paulo

    No início desta semana, um integrante da Receita Federal antecipou, em entrevista, que o governo estudava uma medida provisória para, entre outras determinações, acabar com a isenção de tributação para compras internacionais entre pessoas físicas de até US$ 50.

    O objetivo seria o combate à sonegação, já que, de acordo com o governo, muitas empresas faziam uso dessa isenção para burlar o pagamento de impostos, se fazendo passar por pessoa física.

    O anúncio gerou reações negativas de consumidores nas redes sociais e a notícia se espalhou como se um novo imposto tivesse sido criado.

    A Receita Federal correu para explicar que a tributação de encomendas – ou compras –  nunca foi isenta entre pessoa jurídica e pessoa física, ou seja, entre o consumidor e a empresa que ele compra. E, em comunicado divulgado na noite de terça-feira (11), reforçou que valia apenas entre pessoa física para pessoa física.

    Já no dia seguinte, na quarta-feira (12), o Ministério da Fazenda divulgou outro comunicado para esclarecer o assunto. Destacou que não será criada nenhuma nova tributação para o e-commerce. Contudo, não diz se a isenção para trocas entre pessoas físicas deixará de existir.

    A CNN aguarda um retorno da pasta com os esclarecimentos.

    Tanto o Ministério como a Receita ressaltam que o governo planeja intensificar a fiscalização alfandegária para evitar a sonegação.

    A repercussão negativa fez o governo federal avaliar como um erro a estratégia de comunicação por trás do anúncio de fim da isenção de imposto sobre encomendas internacionais entre pessoas físicas. Para reverter, o Palácio do Planalto estaria apostando em publicações nas redes sociais em uma tentativa de mobilizar influenciadores.

    Veja abaixo o que se sabe sobre o assunto até o momento:

     

     

    A isenção para envios entre pessoas físicas de até US$ 50 vai continuar

    Não está confirmado nem que continua nem que cai. O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que a isenção seria derrubada. A Receita Federal confirmou a informação ao analista da CNN Fernando Nakagawa e reafirmou no comunicado divulgado na terça-feira (11): “Não haverá mais distinção de tratamento nas remessas por pessoas jurídica e físicas”.

    Contudo, o Ministério da Fazenda não deixou isso claro em seu comunicado de quarta-feira (12). Procuradas – Receita e Ministério – ainda não houve um esclarecimento sobre o fim ou não da isenção.

    N esta quinta-feira (13), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que está em viagem oficial à China, disse que a decisão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de derrubar com a isenção para encomendas internacionais de até US$ 50 visa acabar com a concorrência “desleal” entre varejistas brasileiras e empresas de fora do país.

    “É preciso que tenhamos como garantir igualdade de concorrência entre empresários brasileiros e estrangeiros. Ela não pode ser desleal, beneficiando um em detrimento do outro. Isso não é bom para nossa economia”, afirmou o ministro em postagem no Twitter. Ele acompanha o presidente Lula em viagem à China.

    O que muda nas compras feitas no exterior?

    O Ministério da Fazenda esclarece que não será criada nenhuma nova taxa para compras on-line, nem no Brasil e nem no exterior. Como a troca entre pessoa jurídica (empresa) e pessoa física (consumidor) nunca teve isenção de tributação, segundo o ministério, “nada muda para o comprador e para o vendedor on-line que atua na legalidade.”

    O que pasta informou pretende fazer é reforçar a fiscalização. “A partir da Medida Provisória, o exportador vai ter que prestar declaração antecipada com dados do exportador e de quem compra, além do produto”.

    Vale dizer que a tributação incide, também, sobre o valor do frete.

    O que se está se propondo, diz a Receita, são ferramentas para viabilizar a efetiva fiscalização e exigência do tributo por meio de gestão de risco: obrigatoriedade de declarações completas e antecipadas da importação (identificação completa do exportador e do importador) com multa em caso de subfaturamento ou dados incompletos/incorretos.

    Sites como Aliexpress, Shopee e Shein serão taxadas?

    O ministério da Fazenda destaca que, todas as compras feitas, de qualquer valor, em sites do exterior, devem ser taxadas, independentemente do valor, e isso sempre aconteceu – ou deveria acontecer.

    Haddad chegou a classificar esses e-commerces como “contrabando” e estima arrecadar até R$ 8 bilhões por ano com a tributação.

    A pasta esclarece que já existe a tributação sobre o valor da encomenda, mas segundo o governo a cobrança não é efetiva. O imposto é de 60% para encomendas de até US$ 500.

    Acima disso, é cobrado 60% mais o ICMS de cada estado e outras taxas podem ser acrescentadas.

    Quem vai ganhar com essa mudança?

    Ainda segundo explicações do ministério da Fazenda, as mudanças vão beneficiar o consumidor que vai receber suas compras on-line mais rápido, com mais segurança e qualidade.

    Isso porque os produtos terão o processo de liberação agilizado, a partir das informações prestadas pelo vendedor legal, enquanto ainda estiverem em trânsito para o país.

    Beneficiam-se também as empresas brasileiras, sobretudo as pequenas empresas, que são as que mais empregam e pagam corretamente os seus tributos.

    A Receita também afirma que “os consumidores serão beneficiados”.

    De acordo com a nota do órgão, “com a declaração antecipada, a mercadoria poderá chegar no Brasil já liberada (canal verde), podendo seguir diretamente para o consumidor. A Receita vai centrar sua fiscalização nas remessas de maior risco, em que nossos sistemas de gestão de riscos, alimentados pelas declarações antecipadas, apontem risco maior de inconsistências. Com o tempo, o próprio consumidor vai preferir comprar de empresas confiáveis, que atendam estritamente a legislação brasileira.”

    A Receita reforçou sobre a vantagem aos consumidores ao analista da CNN Fernando Nakagawa. Quem pagar o imposto de importação vai ter entrega mais rápida das compras vindas da China, de acordo com promessa feita pela Receita Federal. O Fisco promete que os pacotes de quem pagar o imposto antecipadamente não vão parar na alfândega e, por isso, chegarão antes na casa do cliente.