Candidatos vão à polícia denunciar falhas na aplicação da prova da Unifesp

Em nota à CNN, Unifesp confirmou que dois envelopes apresentaram falta de lacre durante aplicação da prova, mas que não havia sinais de violação de conteúdo

Tatiana Cavalcanti, colaboração para a CNN Brasil, André Nicolau, da CNN
médico de braços cruzados
Candidatos a residência na Unifesp denunciam provas sem lacre  • Freepik
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Candidatos que prestaram a prova de residência médica para a Escola Paulista de Medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), no último domingo (30), afirmam que houve falhas na aplicação do exame em um dos locais usados para o processo seletivo, na Universidade São Judas, em São Paulo.

Parte dos participantes diz que, antes do início da prova, não havia lacres suficientes para guardar celulares, como previsto no edital. Segundo eles, vários candidatos permaneceram com os aparelhos desligados dentro de bolsas e alguns permaneceram com smartwatches, item proibido pelas regras.

Os relatos incluem ainda a ausência de conferência de identidade na assinatura das listas de presença. Candidatos afirmam que assinaram o documento sem apresentar qualquer identificação ao fiscal.

Após o exame, estudantes passaram a trocar informações em um grupo criado numa rede social, onde discutem a possibilidade de ingressar na Justiça.

Parte deles informou ter registrado denúncia na Polícia Civil e protocolado reclamações na Coreme (Comissão de Residência Médica) da Unifesp e no Ministério da Educação.

A CNN Brasil conversou com duas candidatas que pediram anonimato por receio de represálias. Elas afirmam que registraram boletins de ocorrência relatando insegurança com a condução do exame.

Uma delas diz que o envelope com o conjunto de provas chegou “inteiramente aberto”: “Todo mundo viu”, afirma. Segundo ela, o grupo pediu a presença de um fiscal superior. “Ele disse que deveríamos fazer a prova e entrar com recurso depois.”

Outra candidata, que também estava na mesma sala e aplica para psiquiatria, afirma que cerca de 90 pessoas testemunharam a cena. De acordo com ela, o envelope referente ao conjunto de provas número 2 não estava lacrado. “O envelope estava violado à vista de todos.”

Ela diz que, mesmo após acionarem a coordenação, receberam apenas a orientação de registrar recurso interno após o exame: “Entramos na prova inseguros com o que tinha acontecido.”

Outras falhas

No boletim de ocorrência enviado à CNN Brasil, registrado como fraude e estelionato, a mesma participante declarou que o lacre do envelope apresentava “violação prévia”.

As duas candidatas também afirmam que, antes do início da prova, não houve conferência de identidade e que vários alunos guardaram celulares em bolsas por falta de lacres. “Pediram só para desligar e guardar dentro da bolsa.”

Os relatos incluem ainda uma queda de energia durante a aplicação. Uma candidata afirma que o exame continuou com luz natural até que os fiscais anunciaram que concederiam tempo adicional. “A prova seguiu no escuro até chegarem com a orientação do tempo extra.”

Em 2023, um concurso de residência médica em pediatria da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo foi cancelado após candidatos relatarem que envelopes chegaram abertos e com cadernos faltando.

O que diz a Unifesp

Procurada, a Unifesp enviou nota confirmando que dois envelopes apresentaram falta de lacre, mas que não havia sinais de violação de conteúdo nem ausência de provas ou gabaritos.

A instituição afirma que todos os envelopes foram transportados em caixas lacradas, que chegaram lacradas ao local da prova e foram abertas apenas no momento da distribuição para as salas.

Segundo a nota, o transporte foi feito em veículos blindados com escolta, e o processo foi acompanhado por câmeras de segurança.

A Coreme diz que todo o material foi conferido pelos fiscais conforme o procedimento padrão, sem indicação de irregularidade, e que as caixas não apresentavam violação antes de serem abertas para distribuição.

A Unifesp diz ainda que o lacre é “apenas um dos mecanismos de segurança” e que a custódia do exame foi garantida pelo transporte, pelo monitoramento e pela conferência da integridade das caixas. A comissão reforçou “compromisso com a responsabilidade, a lisura e a transparência” do processo seletivo.

A Universidade São Judas Tadeu, responsável pelo espaço onde a prova foi aplicada, informou que não irá se manifestar.