Como Santo André (SP) se tornou exemplo de alfabetização no Brasil

Cidade do ABC consolida salto em indicadores de alfabetização ao IDEB - e entra no radar de especialistas como modelo replicável para grandes redes urbanas

Da CNN Brasil
Município do ABC paulista conta com 65 escolas e cerca de 20 mil estudantes dos anos iniciais  • Divulgação
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A cidade de Santo André, no ABC Paulista, conquistou recentemente etapa estadual do Prêmio de Boas Práticas do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, tornando-se um dos municípios que melhor estruturaram políticas de gestão, monitoramento e alfabetização na primeira infância.

O resultado tem provocado repercussão entre gestores de outros estados: a cidade transformou planejamento estratégico em política pública capaz de alterar, em poucos anos, a curva de aprendizagem de toda a rede.

Alfabetização em sala de aula

Em um cenário nacional marcado por desafios persistentes - desigualdades entre territórios, queda da proficiência pós-pandemia e dificuldade de consolidar processos de alfabetização até o 2º ano - a cidade paulista de quase 750 mil habitantes surge como exceção.

E não pela adoção de uma ação isolada, mas por articular um sistema de gestão educacional que integra diagnóstico contínuo, metas por escola e por turma, avaliação municipal alinhada ao Saresp, formação continuada em serviço e instrumentos padronizados de acompanhamento da aprendizagem.

“Quando uma rede educacional toma decisões orientadas por evidências, o resultado deixa de ser eventual e se torna estrutural. Isso mostra que planejamento e monitoramento contínuo não só elevam indicadores como são capazes de mudar a aprendizagem de uma geração”, afirma o prefeito Gilvan Ferreira.

Com 65 escolas e cerca de 20 mil estudantes dos anos iniciais, a rede passou a operar com uma linguagem comum entre unidades e a organizar decisões a partir de dados.

O efeito apareceu nos números:

  • Indicador Criança Alfabetizada subiu de 52,8 para 56,5.
  • IDEB avançou de 6,3 para 6,5, considerando o comparativo nacional entre 2019 e 2023.
  • Proficiência saltou de 62% para 76% em Língua Portuguesa e de 64% para 73% em Matemática nas avaliações internas.
  • Distorção idade-série caiu para 2,4%.
  • 54 escolas cresceram no Índice de Excelência Educacional em 2024
  • A taxa de aprovação aumentou, com queda expressiva nas indicações ao Conselho de Ciclo.

O que dizem os especialistas?

Para especialistas que acompanham o avanço dos municípios no programa Criança Alfabetizada, o diferencial de Santo André está na combinação rara de governança, método e continuidade - três fatores que, juntos, costumam determinar o sucesso ou o fracasso de políticas de alfabetização no Brasil.

A cidade venceu primeiro a etapa de seu polo — que reúne parte dos 645 municípios paulistas e, depois foi considerada a melhor iniciativa do estado justamente por apresentar aquilo que os avaliadores consideram o “padrão-ouro” da política pública: monitoramento sistêmico, gestão orientada para resultados e capacidade de corrigir trajetórias rapidamente.

Além disso, o município investiu em infraestrutura pedagógica, como o acervo literário, tecnologia educacional, formações continuadas e processos de supervisão ativa, permitindo que professores tivessem condições reais de intervir nas dificuldades de aprendizagem ainda nos primeiros meses do ano letivo.

O modelo, agora premiado, deve entrar no radar de outras capitais e cidades médias que buscam recuperar perdas pós-pandemia e acelerar a alfabetização. Nacionalmente, o tema ganha tração porque o governo federal ampliou metas e incentivos financeiros para municípios que demonstram capacidade de monitorar e melhorar seus indicadores de aprendizagem.

*Publicado por André Nicolau, da CNN Brasil