Dia do Cinema Nacional: veja 10 filmes que ajudam no vestibular

Professores citam obras que fazem refletir sobre temas sociais, históricos e culturais

Maria Paula Giacomelli, colaboração para a CNN Brasil
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Celebrado nesta sexta-feira (19), o Dia do Cinema Nacional tem, entre seu valioso acervo, obras que podem ajudar os alunos na preparação para os vestibulares.

As produções trazem reflexões sobre temas sociais, históricos e culturais do Brasil e contribuem para o pensamento crítico, exigido nos diferentes testes pelo país.

Por isso, a CNN Brasil reuniu indicações de filmes nacionais de três professores das redes de educação Inspira, Anglo e Objetivo que podem contribuir na preparação para o vestibular. Veja abaixo.

"Que Horas Ela Volta?" (2015)

Dirigido por Anna Muylaert, o longa acompanha Val, empregada doméstica que trabalha na casa de uma família de classe média em São Paulo. A chegada de sua filha, que pretende prestar vestibular, provoca questionamentos sobre relações de poder e desigualdades naturalizadas no cotidiano. A indicação é de Virginie Pierin Isber, professora de Redação do Colégio Contemporâneo, da Inspira Rede de Educadores, e de Eloy Gustavo de Souza, professor de Língua Portuguesa do Sistema Anglo de Ensino.

"A obra permite discutir desigualdade social, mobilidade por meio da educação, privilégios e relações de classe. São temas frequentes em propostas de redação e debates sobre cidadania", comenta Virginie.

"Ainda Estou Aqui" (2024)

Dirigido por Walter Salles e vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, o filme resgata a trajetória de Eunice Paiva após o desaparecimento de seu marido durante a ditadura militar brasileira. A narrativa reforça a importância da preservação da memória histórica e da defesa dos direitos humanos. "O filme oferece uma oportunidade valiosa para refletir sobre democracia, justiça, memória coletiva e direitos humanos. Também contribui para que os estudantes compreendam como acontecimentos históricos seguem impactando o presente", destaca Virginie.

"O Agente Secreto" (2025)

A produção de Kleber Mendonça Filho possibilita reflexões sobre vigilância, autoritarismo e mecanismos de controle social. Questões relacionadas à privacidade, ao papel das instituições e aos limites do poder são extremamente atuais e podem colaborar em discussões sobre cidadania e democracia.

"Nem Toda História de Amor Acaba em Morte" (2025)

Dirigido por Bruno Costa, o filme contribui para debates sobre diversidade, afetividade e respeito às diferenças, estimulando reflexões sobre convivência, inclusão e reconhecimento da pluralidade das experiências humanas. "É uma obra que amplia o olhar dos estudantes sobre empatia, respeito e direitos individuais, aspectos cada vez mais presentes nas discussões sociais contemporâneas", explica a professora.

"Pixote, a lei do mais forte" (1980)

Dirigido por Héctor Babenco, o filme denuncia as condições precárias de vida enfrentadas por milhares de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. O professor Eloy afirma que, "ao retratar a pobreza, a violência e a ausência de políticas públicas eficazes, a obra promove uma reflexão sobre exclusão social e os desafios enfrentados pela juventude nas grandes cidades".

"Bye Bye Brasil" (1979)

Com tom leve e bem-humorado, a produção de Cacá Diegues acompanha os integrantes da Caravana Rolidei enquanto percorrem diferentes regiões do país, revelando os impactos sociais e ambientais provocados pela ocupação da Amazônia durante o regime militar. "A obra convida à reflexão sobre desenvolvimento, desigualdade, preservação ambiental e os desafios enfrentados pelas populações mais vulneráveis da região", reflete Eloy.

"O Pagador de Promessas" (1962)

Dirigido por Anselmo Duarte, o filme conta a história de Zé do Burro, um homem simples que faz uma promessa religiosa e tenta cumpri-la levando uma grande cruz até uma igreja. Porém, ele enfrenta a resistência das autoridades religiosas e entra em conflito com instituições que não compreendem sua fé e sua realidade. "A obra aborda intolerância, desigualdade, abuso de poder e o choque entre o indivíduo e estruturas sociais rígidas."

"O que é isso companheiro" (1997)

Dirigido por Bruno Barreto, a obra é inspirada no livro homônimo do jornalista Fernando Gabeira. O roteiro revela detalhes de como foi o sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969, durante um dos momentos mais tensos de radicalização da repressão da ditadura militar. A indicação é Daily de Matos Oliveira, coordenador-geral de História do Objetivo. "Gabeira apresenta as diversas tendências políticas entre os integrantes do sequestro, do qual ele também foi protagonista", explica.

"A Missão" (1986)

O filme protagonizado por Robert De Niro conta a história de um bandeirante que se torna jesuíta, no contexto da implantação do Tratado de Madri (1750), que definiu quase todo o tamanho atual do Brasil, anulando o Meridiano de Tordesilhas. "A produção ajuda na compreensão da atuação dos jesuítas no Brasil e na criação das reduções indígenas. Como um dos protagonistas, o noviço lutará a favor dos povos originários nas 'Guerras guaraníticas', se empenhando na manutenção dos Sete Povos das Missões, destruídas por portugueses e espanhóis", indica Daily.

"Gaijin - Os Caminhos da Liberdade" (1980)

A produção é dirigida pela cineasta nipo-brasileira Tizuka Yamasaki. O drama expõe as dificuldades e preconceitos vividos pelos imigrantes japoneses, a partir da sua chegada ao Brasil, no navio Kasato-Maru, em 1908. "Todo descendente de imigrante deveria conhecer a história de seus antepassados e os percalços vividos pelos seus ancestrais para sobreviver e vencer numa terra diferente, e, como todas as outras, pouco simpáticas a estrangeiros", afirma o coordenador.