Encontro reúne jovens do Sul Global em debates sobre educação e trabalho

GOYN Global Convening 2025 reúne juventudes do Sul Global em debates sobre inclusão produtiva e futuro do trabalho

André Nicolau, colaboração para a CNN Brasil
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Mais de 350 estudantes de nove países e 16 comunidades do Sul Global se reúnem em São Paulo para o evento "Juventudes Potentes no Brasil" da Global Opportunity Youth Network (GOYN).  

O encontro internacional, que acontece entre os dias 6 e 8 de outubro no Centro Cultural Olido, em São Paulo, coloca em pauta um desafio global: as barreiras estruturais que impedem a inclusão produtiva de milhões de jovens no mundo. 

Com o tema "Conexões que transformam as juventudes: o poder de uma comunidade global", o evento reúne jovens líderes, organizações sociais, empresas, governos e especialistas para buscar soluções para as desigualdades que afetam a vida da juventude, especialmente em questões de educação, emprego e bem-estar. 

“Em todas essas regiões, os desafios de educação são grandes. Infraestrutura precária nas escolas, frequência de alunos, evasão escolar e enormes desafios de aprendizagem. O que a gente vem estudando e aprendendo é que as políticas educacionais sozinhas não serão suficientes, não são suficientes para atender os jovens em vulnerabilidade social, especialmente. Nesses casos, a gente precisa combinar as políticas educacionais com políticas sociais e com políticas de apoio às famílias desses jovens, especialmente em empoderamento econômico”, enfatiza a CEO da United Way Brasil e articuladora do GOYN no Brasil, Gabriella Bighetti.  

A abertura oficial do primeiro dia uniu circo e hip-hop, com performances de jovens artistas e atividades interativas comandadas pelo rapper e grafiteiro MC Hugo Tadeu. 

Na sequência, o fundador e diretor do GOYN no Instituto Aspen, Jamie McAuliffe, destacou a importância da atuação sistêmica da rede: “A inclusão produtiva de jovens é mais do que criar oportunidades de emprego, é reconhecer o poder transformador da juventude. Hoje, mais de 800 mil jovens já foram conectados a oportunidades econômicas em todo o mundo, e isso só é possível quando o trabalho nasce do território e das vozes que o constroem.” 

Desafios em debate: do gênero à Inteligência Artificial  

Os participantes se aprofundaram em discussões sobre soluções para a inclusão produtiva em cinco eixos centrais "Injustiças Estruturais (gênero, raça e barreiras invisíveis no mercado de trabalho)", "Conectando Educação e Trabalho (evasão, reconexão e lacunas de informação)", "Tecnologias, Inteligência Artificial e o Futuro do Trabalho", "Economias Produtivas Verdes (oportunidade para a juventude prosperar)" e "Emprego Jovem (bem-estar coletivo e individual para sucesso a longo prazo)".

Vozes da juventude  

 A voz dos jovens foi central. Michelle Rosales, jovem líder do GOYN Cidade do México, ressaltou a urgência de escutar a juventude: "Os jovens estão deixando as escolas porque as barreiras são enormes. Queremos que nos entendam e que nos ouçam. Queremos estar nos espaços onde as decisões são tomadas". Ela destacou que na América Latina, a desigualdade estrutural, os estigmas e a violência limitam o acesso a empregos dignos, com milhões de jovens vivendo na pobreza e trabalhando na informalidade. 

Especialistas também debateram a complexidade da inclusão produtiva, que, segundo a CEO da United Way Brasil e articuladora do GOYN no Brasil, Gabriella Bighetti, é uma "jornada longa" que exige a colaboração de diversos setores. 

“Essa jornada e começa no território e segue dentro das empresas depois deles empregados. Existem estatísticas. Que mostram que muitos jovens até conseguem entrar nas empresas, mas não ficam por causa de uma questão de cultura ou de formas de serem avaliadas que não estão adequadas à realidade desses jovens. Portanto, a jornada de inclusão produtiva precisa ser entendida como essa trajetória para que a gente consiga, de fato, incluir em escala os jovens potência”, reflete.  

Meta audaciosa

O GOYN, que já conectou mais de 800 mil jovens globalmente em cinco anos, estabeleceu uma meta audaciosa para a capital paulista: incluir produtivamente mais de 100 mil jovens periféricos na cidade de São Paulo até 2030.

Para atingir essa marca, o programa conta com um modelo colaborativo de 80 organizações, incluindo ONGs, empresas e governos, que trabalham juntos para garantir que a inclusão produtiva aconteça em escala e chegue aos jovens que mais precisam. 

A ampliação da rede foi celebrada por Gabriella Bighetti: "Em 2025, o Brasil ganha sua terceira cidade na rede GOYN e realiza este grande encontro global, um marco que mostra que não estamos sozinhos na construção dessa jornada."