Enem 2025: prova de física teve de Turma da Mônica a TVs de tubo
Professor José Carlos Garcia, do Objetivo, afirma que o exame repetiu formato dos últimos anos, com foco conceitual e poucas contas
A prova de física do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2025 manteve o padrão das últimas edições, com predominância de interpretação de enunciados e aplicação direta de conceitos.
Essa é a avaliação do professor José Carlos Garcia, do Objetivo, durante transmissão ao vivo da CNN Brasil neste domingo (16).
Segundo Garcia apesar de a disciplina não apresentar questões “muito difíceis” de forma isolada, o conjunto da prova exige atenção pelo volume total de 90 itens.
Garcia afirmou que o exame teve caráter “conteudista”, exigindo que o candidato identificasse fenômenos físicos descritos no texto. “Das 15 questões, dez não tinham conta nenhuma. O aluno precisava entender o enunciado e reconhecer do que se tratava.”
Garci afirmou que, observada isoladamente, a parte de física apresentou equilíbrio entre temas clássicos e abordagens tradicionais de vestibulares.
Entre os exemplos citados, Garcia destacou a questão 96, da prova verde, sobre força de atrito em uma caixa deslizando por uma rampa. Para ele, o item era simples, desde que o estudante percebesse que o gráfico se referia à força de atrito — constante — e não à força aplicada pela pessoa que empurrava o objeto.
Outro item considerado “conhecido de sala de aula” foi a questão 100, que tratava da potência limite suportada por uma régua de tomadas com fusível de proteção.
O professor explicou que o estudante precisava calcular a potência total do sistema, subtrair o consumo do computador e do ar-condicionado e, a partir disso, verificar qual aparelho, na ordem dada pelo enunciado, ainda poderia ser ligado sem que o fusível queimasse.
A prova também trouxe questões interpretativas envolvendo temas de cotidiano, como a questão 101, sobre a aproximação de mariposas de lâmpadas incandescentes. Garcia ressaltou que o aluno deveria reconhecer que o calor chega ao inseto predominantemente por radiação, mesmo na presença de ar.
Turma da Mônica
Outros itens recuperaram referências culturais, como na questão 115, baseada em um quadrinho de Mônica e Cebolinha. O enunciado relacionava quebra de objetos à frequência sonora da personagem, o que remete ao fenômeno da ressonância.
“Não tem a ver com a intensidade do som, mas com a coincidência da frequência da voz com a frequência natural de vibração dos objetos”, disse o professor.
Questão mais trabalhosa
Entre os exercícios que classificou como mais trabalhosos, Garcia citou a questão 120, que envolvia associação de geradores elétricos. Para ele, o item exigia maior maturidade conceitual, pois o candidato precisava identificar que a associação deveria ser feita em série, calcular a resistência envolvida e comparar valores múltiplos. O docente classificou essa como a “questão difícil” da disciplina.
A questão 122, que utilizava gráficos para discutir a variação da resistência elétrica em sensores de temperatura feitos com materiais diferentes, também poderia causar estranhamento, segundo Garcia.
"Muitos candidatos poderiam considerar a representação pouco familiar, embora o raciocínio necessário fosse simples: identificar quais materiais ofereciam melhor resolução na faixa de temperatura desejada."
De modo geral, o professor avaliou que o Enem manteve um nível adequado e abordou conteúdos considerados centrais no ensino médio. “É um bom vestibular. A prova é bem feita e cobre os temas mais relevantes.”
O que caiu em física no Enem 2025
- Interpretação de fenômenos físicos a partir de textos e gráficos
- Força de atrito e movimento em rampas
- Potência elétrica, fusíveis e consumo de aparelhos
- Transmissão de calor por radiação
- Ressonância e frequência de ondas sonoras
- Óptica e campo elétrico em TVs de tubo
- Comprimento de onda e fototerapia (juntice neonatal)
- Associação de geradores e circuitos elétricos
- Sensores de temperatura e resistência elétrica de materiais


