Prova de matemática no Enem teve vilões e surpresas indesejadas

Professor Marcelo Guará, do Objetivo, analisou o segundo dia; questão sobre gráfico de tangente foi a mais comentada

Tatiana Cavalcanti, colaboração para a CNN Brasil
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A prova de matemática do segundo dia do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2025, aplicada no domingo (16), foi considerada "um pouco mais tranquila" que a do ano anterior, com contas menos complexas.

Essa foi a avaliação do professor Marcelo Guará, do Curso Objetivo, durante correção extraoficial transmitida pela CNN Brasil.

"Até foi um pouco mais tranquila que o ano passado. As contas foram menores", disse o professor. Ele citou, no entanto, "algumas surpresas" que geraram dúvidas, como uma questão sobre tangente com deslocamento de gráfico – que se tornou a mais comentada da prova – e outra de logaritmo com modelo específico.

Guará reforçou que, apesar do destaque para a questão difícil da tangente, a prova manteve a coerência com os temas usualmente cobrados. "Foi boa, bem feita, porém com algumas pequenas surpresas que provavelmente os alunos não gostaram."

Viralizou nas redes

A questão que viralizou como muito difícil nas redes sociais pedia a associação de um gráfico à função tangente após um deslocamento.

Guará confirmou o alto grau de dificuldade. "Para resolver, os candidatos precisavam identificar o deslocamento horizontal [a translação] sofrido pelo gráfico original da função tangente e associá-lo à equação correta."

Análise de outras questões:

Poliedro e vértices (questão 136): considerada de nível fácil, pedia o número de vértices de um poliedro com uma cúpula pentagonal. A resolução podia ser feita pela contagem direta ou pela Relação de Euler (V - A + F = 2), chegando a 25 vértices.

Probabilidade e celulares (139): classificada como boa e dentro do esperado, a questão tratava da probabilidade de quatro candidatos receberem seus celulares de volta aleatoriamente. A chance de todos acertarem era de 1 em 24.

Probabilidade e redes sociais (141): outra questão de probabilidade, considerada simples, pedia a chance de escolher um internauta homem que acessa redes sociais. A resolução envolveu multiplicar a probabilidade de ser homem (40%) pela de acessar redes (90%), resultando em 36%.

Geometria e cores (144): uma questão sobre a pintura de um protótipo de peça. O critério era que faces congruentes recebessem a mesma cor. A análise das faces do sólido levou à resposta de quatro cores no total.

Geometria analítica e vilões (151): considerada uma surpresa e de nível difícil, a questão situava um herói em um jogo que deveria se mover equidistante de dois vilões. A resolução exigiu encontrar a equação da reta mediatriz no plano cartesiano.

Estatística e estudo clínico (155): considerada a "predileta" do professor pela abordagem conceitual, a questão apresentava uma tabela incompleta. A chave era identificar o grupo em que a maioria das mulheres tinha entre 20 e 30 anos usando a média e o desvio padrão.

Análise combinatória e presentes (169): uma questão clássica que foi bastante comentada. O problema tratava da distribuição de oito presentes para três filhos, com regras específicas. A resolução, considerando as restrições, levou ao resultado de 300 maneiras distintas.