33% consideram educação como um desafio para jovens no Brasil, diz Ipsos

Desigualdade e saúde mental também são outros obstáculos mencionados

Gabriela Carvalho, colaboração para a CNN Brasil
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O estudo Education Monitor 2026, conduzido pela Ipsos, revela como o Brasil se coloca diante das dificuldades enfrentadas pela juventude ao redor do mundo. Através do levantamento com 23.537 adultos em 31 países, entre 19 de junho e 3 de julho de 2026, os dados mostram o contraste da realidade do país em relação a outras nações.

Mundialmente, a saúde mental lidera como o principal obstáculo da juventude. No Brasil, no entanto, fatores como a pobreza e a desigualdade são mencionados por 43% dos entrevistados, 14 pontos percentuais acima da média dos países.

Na sequência, aparece a baixa qualidade da educação, com 33%; e a saúde mental, com 32%. Segundo Rosi Rosendo, diretora de opinião pública na Ipsos, os dados evidenciam que o contexto econômico e social impacta diretamente as expectativas da juventude e o acesso à educação.

“Os resultados mostram que, no Brasil, falar sobre o futuro dos jovens exige considerar as desigualdades que condicionam seu acesso à educação, à segurança e às oportunidades profissionais. Ao mesmo tempo, vemos pontos de convergência com outros países, especialmente nas preocupações com saúde mental, a saúde digital e preparação para o mercado de trabalho”, afirma Rosi Rosendo.

Acesso à educação e mobilidade social

Esses fatores interferem diretamente na visão sobre mobilidade social. 54% dos brasileiros acreditam que jovens de origem mais pobre não têm chances de um futuro promissor. Apesar disso, mesmo com as críticas ao sistema educacional, o ensino superior permanece com uma visão de valorização no país.

70% dos brasileiros acreditam que um diploma universitário ajuda as pessoas a avançarem na carreira. Esse dado está acima da média global, que é de 66%. No Brasil, 61% também consideram a formação superior importante para se obter sucesso.

No entanto, essa visão não se traduz na expectativa de ascensão social. 48% dos brasileiros acham que os diplomas universitários oferecem uma boa relação entre custo e benefício, número abaixo da média global, de 57%.