Veto ao celular nas escolas: 86% dos gestores notam alunos menos ansiosos

MEC divulga balanço do 1º ano de implementação de lei que restringe o uso de aparelhos nas instituições

Maria Paula Giacomelli, colaboração para a CNN Brasil
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Cerca de 86% dos gestores de escolas públicas e privadas dizem que a restrição ao uso dos celulares contribuiu para a redução da ansiedade entre os estudantes neste primeiro ano desde a adoção da medida.

O MEC (Ministério da Educação) e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) divulgaram, nesta terça-feira (30), o resultado de um levantamento que avalia o primeiro ano de vigência da Lei nº 15.100/2025, que proíbe o uso de celulares nas escolas.

A pesquisa apresenta resultados sobre a implementação nas redes públicas e privadas de ensino, os impactos no cotidiano escolar entre os alunos, os desafios enfrentados pelas instituições e as estratégias adotadas pelas escolas desde a entrada em vigor da norma.

Entre os dados apresentados, estão que cerca de 55% dos gestores notaram também diminuição de conflitos e agressões físicas dentro das instituições.

"Se relacionar mais com telas do que com pessoas é um problema para escolas, que não é um lugar apenas para transmissão de conteúdo, que é uma parte importantíssima", afirmou a secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, em coletiva de imprensa. "O aprendizado também se dá no diferente. O ambiente escolar e a convivência em grupo para o processo de aprendizado são um ativador da aprendizagem."

Outro dado apresentado foi que 88% dos entrevistados concordaram que a medida contribuiu para a redução de conflitos, agressões digitais e cyberbullying.

O Inep diz ter enviado questionário a 8.189 escolas selecionadas por sorteio probabilístico, com um convite de resposta a um questionário. Destes, o instituto teve 2.469 respostas válidas. De acordo com Kátia, o Brasil tem 174 mil escolas, sendo 138 mil da rede pública e 36 mil, da rede privada.

A percepção de 86% dos gestores de que os alunos estão menos ansiosos reforça que políticas sobre o uso de celulares precisam ser compreendidas também como uma estratégia de promoção do bem-estar e da aprendizagem, afirma Beatriz Alquéres, gerente-executiva de políticas públicas do Instituto Ayrton Senna.

"O resultado mostra que a escola é muito mais do que um espaço de aprendizagem de conteúdos. Quando reduzimos fatores de distração e pressão, criamos condições para que os estudantes convivam mais, fortaleçam vínculos e estejam emocionalmente mais disponíveis para aprender. A escola precisa estabelecer limites saudáveis e oferecer alternativas que estimulem o autoconhecimento, convivência, apresentando e experimentando atividades novas", analisa ela.

92% das escolas implementaram a medida

O veto aos celulares já está em vigor em 92% das instituições de ensino, de acordo com a pesquisa respondida pelos gestores.

Junto da proibição, algumas das ações adotadas pelas instituições foram:

  • 66% definiram sanções para quem violasse as regras;
  • 63% definiram consulta e escuta ativa com famílias;
  • 62% atualizaram regimento interno;
  • 61% definiram consulta e escuta ativa com estudantes;
  • 60% investiram em formação continuada de profissionais sobre os temas da lei;
  • 59% investiram em convivência e brincadeiras coletivas.

Como principais desafios associados à medida, 39% dos gestores citaram a adesão dos estudantes às novas regras e a infraestrutura necessária para armazenar os aparelhos. Também foi apontada a dificuldade em realizar fiscalização contínua durante aulas e intervalos (31%).

Como as escolas guardam celulares?

A pesquisa também fez um balanço sobre como as instituições armazenam os aparelhos dos alunos durante o período letivo. O resultado aponta que:

  • 62% guardam os celulares na mochila dos estudantes;
  • 33% recolhem os aparelhos na secretaria ou na recepção da escola;
  • 21% das escolas informam que o celular permanece em posse direta do estudante;
  • 15% utilizam caixas ou armários coletivos dentro da sala de aula;
  • 10% utilizam armários ou escaninhos individuais;
  • 8% utilizam caixas ou armários coletivos em corredores ou pátios.