À CNN, Haddad fala sobre plano de segurança, Lulinha e “taxa das blusinhas”

Candidato do PT ao governo de São Paulo foi o primeiro entrevistado da série de sabatinas promovidas pela CNN nas eleições 2026

Pedro Penteado, colaboração para a CNN Brasil, Lorenzo Santiago, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

Nesta segunda-feira (10) a CNN Brasil estreiou sua série de entrevistas com os candidatos aos governos estaduais. O primeiro sabatinado foi o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), concorrente ao Palácio dos Bandeirantes.

No primeiro destaque da entrevista, sobre segurança pública, Haddad criticou a recusa do atual governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) em relação à ajuda do governo federal para a segurança do estado e ressaltou sua proposta em criar um grupo para discutir o combate ao crime.

"Se nós quisermos levar a segurança publica a serio, precisamos colocar na mesma mesa as maiores autoridades dos órgãos de combate ao crime. Eu duvido que qualquer que seja o presidente, deixe de indicar um membro da PF em SP para não participar de um gabinete criado pelo governador. O que tem acontecido são os governadores de extrema direita recusarem o apoio federal", disse Haddad.

Ao ser perguntado sobre o novo secretário de segurança pública, o candidato criticou a escolha do nome apoiado por Tarcísio ao Senado e ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), para a secretaria, que julgou como erro do atual governador.

"Ao convidar um capitão para assumir a segurança publica, desarrumando a casa. Ele nomeou coronéis que acabaram fazendo com que vários coronéis experientes se aposentassem, fossem pra reserva. Nós perdemos a inteligência por conta das nomeações que foi um dos pecados que esse governo cometeu. Ele baratinou a hierarquia da PM, uma desvantagem muito grande pra cadeia de comando, nós perdemos muito a cadeia de comando", afirmou.

Ele também disse que a primeira medida seria abrir a transparência completa dos dados auditados pela sociedade civil, utilizando como exemplo a falta de informações públicas sobre celulares roubados.

"20% dos celulares roubados no país são roubados na cidade de São Paulo. Quantos celulares tem o roubo, a autoria do roubo identificados? Nós não sabemos, esse dado não é publico", finalizou.

"Taxa das blusinhas"

Outro tópico abordado na sabatina foi a chamada "taxa das blusinhas", tópico que rendeu apelidos de 'taxad' ao ex-ministro, que afirmou que a medida não partiu do governo federal, mas sim do varejo.

"O presidente Lula não queria cobrar (a "taxa das blusinhas"), a federal. Quem introduziu foi o Congresso Nacional. O presidente Lula não queria e ainda falou: 'vou vetar se vocês aprovarem'. A conversa foi, inclusive, com o Arthur Lira. Ele falou: 'Presidente, vai ser por unanimidade. Todos os partidos vão votar a favor dessa medida'", disse.

"Qual o objetivo disso? Não era arrecadatório. Era um pedido do varejo nacional para equilibrar o que vendido numa loja e o que vem de fora. Não tem nada a ver comigo."

Haddad afirmou também ter sido procurado por governadores, incluindo atual mandatário de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para cobrar ICMS das importações.

"E por que procuraram o Ministério da Fazenda? Por que vinha pelos correios e se os correios não fossem parceiros, não tinha condição de cobrar na entrada. Hoje o Tarcísio cobra a taxa das blusinhas. O que a oposição fez, usou esse negócio para carimbar o governo. Tanto é verdade que os governadores mantém", afirmou.

Privatizações e Sabesp

Tópico debatido entre Haddad e Tarcísio no domingo (09), as privatizações, em especial da Sabesp, foram retomadas durante a entrevista

Segundo o candidato, caso eleito, ele revisará todos os contratos fechados pela gestão do atual governador, sobretudo "à luz das críticas" que o processo que a privatização passou.

"Os contratos que o Tarcísio firmou quando era ministro da Infraestrutura tiveram que ser revistos inclusive com acompanhamento do Tribunal de Contas da União por que foram considerados lesivos ao tesouro nacional", afirmou.

"Sendo uma operação muito complexa, nós precisamos ler o contrato com calma e verificar o que é possível."

Para o ex-ministro da Fazenda, alguns elementos do contrato chamam sua atenção.

"Um único concorrente, uma série de clausulas que foram colocadas no edital que afastaram concorrentes, dando um cheiro de direcionamento. Um segundo lote de ações que foram vendidos pelo preço do certame que era 20% abaixo do valor de mercado."

Marcola e Lulinha

Haddad foi questionado se poderia ter sua campanha prejudicada com as investigações sobre o filho do presidente Lula (PT), o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o assessor político do mandatário, Marco Aurélio Santana Ribeiro, também chamado de Marcola. 

A respeito do assunto, o candidato ressaltou que é preciso "passar a limpo" as investigações e ressaltou a postura diferente adotada por Lula que, diferente do seu antecessor, Jair Bolsonaro (PL), permite o prosseguimento das apurações.

"O apreço que eu tenho pelo presidente Lula é que ele, ao contrário de seu antecessor, mudou ministro da Justiça, mudou diretor-geral da PF, mudou superintendente da PF no Rio de Janeiro para proteger o filho, que é o Flávio Bolsonaro. O presidente não faz isso", afirmou.

O candidato ao Palácio dos Bandeirantes também aproveitou para citar os áudios de Flávio Bolsonaro para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em que pede R$ 134 milhões para a realização do filme 'Dark Horse', sobre o pai do candidato a presidente. 

Além disso, citou que o início da crise do liquidado Banco Master teria começado na gestão anterior.

"O Banco Master financiou a campanha do Tarcísio e do Bolsonaro em 2022. Você pode falar que naquela altura ninguém poderia imaginar que o cara fosse assim. Será que é verdade que aquele filme de segunda categoria custou R$ 134 milhões para ser feito? Essas perguntas cabem fazer. Estamos falando do candidato a presidente que tem 100 imóveis comprados com dinheiro vivo", concluiu.

CNN sabatina candidatos estaduais

CNN Brasil deu início nesta segunda à série de entrevistas com candidatos aos governos estaduais. O primeiro entrevistado foi Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo. O atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), será entrevistado na próxima quarta-feira (12).

As sabatinas serão transmitidas ao vivo, simultaneamente na TV e no canal da CNN no YouTube, e serão conduzidas pelos jornalistas Iuri Pitta, Clarissa Oliveira e Pedro Venceslau. As entrevistas terão a mesma duração para todos os candidatos.

Além de São Paulo, as rodadas de entrevistas também vão contemplar candidatos aos governo do Distrito FederalBahiaParanáRio Grande do SulPernambucoMinas GeraisRio de Janeiro e Ceará. Os líderes das pesquisas eleitorais foram escolhidos para as sabatinas com base nos dados do Índice CNN, agregador de pesquisas desenvolvido em parceria com o Ipespe Analítica.

Parte das entrevistas nesses estados será transmitida ao vivo pela TV, enquanto outras serão exibidas inicialmente no canal da CNN no YouTube e posteriormente vão para a televisão.

A cobertura completa da CNN Brasil nas eleições de 2026 também contará com entrevistas de candidatos à Presidência no programa WW, comandado pelo jornalista William Waack, além dos debates presidenciais, no dia 14 de setembro, e para o governo de São Paulo, no dia 18 de setembro, organizados pelo consórcio Momento da Decisão.

O pool reúne 11 veículos de comunicação: CNN Brasil, SBT, RedeTV!, Exame, Terra, Metrópoles, Rádio Itatiaia, Nova Brasil FM, Rede Vida, SBT News e VEJA+ TV.