Análise: Com pacote a MEIs, Flávio vê "desespero" e Lula mira classe C
Medidas incluem perdão de dívidas de R$ 12,6 bi e renegociações; campanha de Flávio Bolsonaro classifica ação como desespero; a avaliação é da analista de Política da CNN Edilene Lopes ao CNN 360°
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou, no Palácio do Planalto, um pacote com cinco medidas voltadas ao Microempreendedor Individual (MEI), a 12 dias do segundo turno das eleições.
O conjunto de iniciativas tem impacto fiscal relevante e busca alcançar um segmento do eleitorado que, segundo avaliação da própria campanha, ainda resiste ao governo: a classe média que empreende. A avaliação é da analista de Política da CNN Edilene Lopes ao CNN 360°.
Contexto político e eleitorado-alvo
Edilene destacou que Lula tem mirado a classe C de forma mais ampla neste segundo turno.
Segundo ela, embora o governo tenha conquistado parte desse eleitorado com medidas como a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, não conseguiu abarcar plenamente os empreendedores e autônomos que não possuem carteira assinada.
"O presidente Lula não conseguiu abarcar, principalmente aqueles que são os empreendedores e autônomos que não são CLT", afirmou Edilene.
Essa dificuldade, segundo ela, reflete uma revisão que o Partido dos Trabalhadores tem enfrentado em relação às novas relações do mundo do trabalho.
A avaliação interna entre petistas é de que a medida de isenção de dívidas dos MEIs, lançada entre o primeiro e o segundo turno, chegou tarde.
"É uma leitura tardia que deveria ter vindo antes e, se tivesse vindo, talvez o presidente Lula tivesse conseguido mais apoio desse eleitorado", disse Edilene. Já na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a iniciativa é interpretada como desespero.
No mercado financeiro, a percepção é de que Lula estaria criando dívidas para o próximo governo na tentativa de angariar votos da classe C.
Flávio Bolsonaro e o discurso do empreendedorismo
Edilene Lopes avaliou que a campanha de Flávio Bolsonaro tem conseguido se comunicar melhor com esse segmento da população.
A presença de Pablo Marçal ao lado de Flávio Bolsonaro foi apontada como um sinal para a parcela da população que sonha em ascender socialmente por meio do empreendedorismo.
"Quando Flávio Bolsonaro se alia a pessoas que incentivam o empreendedorismo, isso faz com que ele dialogue com uma parcela da população que o presidente Lula teve dificuldade de dialogar", afirmou a analista.
Somado à pauta de costumes e ao eleitorado evangélico, esse discurso teria dado a Flávio Bolsonaro a maioria dos votos no primeiro turno.
Para Edilene, a classe C — descrita como aquela que não é beneficiada por programas como o Bolsa Família, mas também não foi contemplada por outros incentivos governamentais — se sente injustiçada.
"É como se fosse o irmão do meio, aquele que acha que o pai e a mãe dão atenção para o mais velho e para o mais novo, mas o filho do meio fica sem a atenção devida", comparou a analista, ao caracterizar o sentimento dessa parcela do eleitorado.


