Análise: Em aceno ao Congresso, Lula tira 6x1 de discursos recentes

Segundo avaliação de Isabel Mega, ao Bastidores CNN, Lula não quer ampliar o desgaste com o Congresso justamente no momento em que busca se aproximar de Alcolumbre

Da CNN Brasil
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Lula retirou do discurso a pauta do fim da escala 6x1 como parte de um movimento de aproximação com o Congresso Nacional. Segundo a analista de Política Isabel Mega, a decisão está diretamente ligada à reaproximação com Davi Alcolumbre (União-AP), após um período de tensão entre os dois.

Durante o Bastidores CNN desta segunda-feira (17), Mega observou que o tema do fim da jornada 6x1 não foi mencionado em nenhum dos dois discursos recentes de Lula, na convenção do PT e no lançamento de campanha.

"Ele escanteia esse tema porque ele, Lula, não vai ampliar o desgaste em um momento em que ele está super próximo de Davi Alcolumbre", afirmou Mega.

A analista lembrou do mote do "Congresso inimigo do povo", que veio acompanhando a pauta nos últimos meses e que deve ficar de fora das falas públicas de Lula.

"Ele vai deixar para a militância lembrar desse slogan que os dois presidentes da Câmara e do Senado detestam, porque só os prejudicam na vida política", destacou.

Segundo o âncora Gustavo Uribe, o movimento de Lula tem sido o de buscar apoios de dirigentes de partidos de centro-direita que anunciaram neutralidade na disputa eleitoral.

Alcolumbre, por sua vez, tem mantido posição de cautela, porque ele deve enfrentar uma disputa à reeleição à presidência do Senado no ano seguinte, e uma posição neutra lhe permitiria eventualmente buscar o apoio do PL.

"Apesar de o partido já ter anunciado que apoiaria Rogério Marinho ou Tereza Cristina", observou Uribe.

Na semana passada, Lula e Davi Alcolumbre retomaram o diálogo e realizaram três reuniões. O distanciamento entre os presidentes do Executivo e do Senado se deu após a rejeição ao nome de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

Como gesto de reaproximação, Alcolumbre destravou pautas do governo na Casa Legislativa. O PL das Terras Raras, a PEC da Segurança e a PEC do Fim da Escala 6x1 foram encaminhados às comissões temáticas.

A votação dessas matérias em plenário antes das eleições é considerada improvável, mas o movimento representa um avanço no andamento das propostas.

Visita ao Amapá

Nesta segunda-feira, Lula e Alcolumbre embarcaram juntos de Macapá para o município de Oiapoque para um evento relacionado à descoberta de petróleo na Foz do Amazonas.

Na ocasião, Lula também deve reforçar o apoio à reeleição do governador Clécio Luís, do União Brasil, descrito como aliado de primeira hora de Alcolumbre.

A expectativa do Planalto é de que Alcolumbre faça um aceno público e declare apoio à reeleição de Lula no evento, algo que o presidente aguarda há bastante tempo.

A pauta da Foz do Amazonas tem relevância política tanto para Clécio quanto para Alcolumbre, cujo discurso é o de que as descobertas representam um "passaporte de futuro para o Amapá", com investimentos via royalties de petróleo destinados à educação, saúde e segurança pública.

Alcolumbre havia atuado ativamente em prol da pesquisa da Petrobras na Foz do Amazonas, inclusive inserindo emenda sobre licenciamento ambiental relacionada à margem equatorial.

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