Análise: Flávio Bolsonaro e o cálculo para atrair Centro com vice feminina
Análise de Isabel Mega aponta que estratégia da direita envolve divisão tática no 1º turno, com Tereza Cristina e Simone Marquetto sendo cotadas para compor chapa com representante do PL
A estratégia da direita para as próximas eleições presidenciais está se desenhando com uma divisão tática no primeiro turno e a possibilidade de uma chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL) ter uma vice mulher para atrair o eleitorado de centro. A análise é de Isabel Mega, no Bastidores CNN.
A decisão de Ronaldo Caiado de migrar para o PSD está gerando um rearranjo que permite ao centrão maior liberdade de movimentação, sem a necessidade de encabeçar chapas diretamente ligadas ao bolsonarismo no primeiro turno. "É um cálculo que será feito partido a partido", afirma Mega.
Dois nomes femininos já estão sendo cotados para a vice na chapa com Flávio Bolsonaro: Tereza Cristina, pelo lado do PP, e Simone Marquetto, deputada federal e ex-prefeita de Itapetininga, pelo MDB. A escolha de uma mulher para a vice seria uma estratégia para conquistar um eleitorado mais moderado e ampliar o alcance da candidatura.
Divisão estratégica da direita
O cenário atual aponta para uma consolidação da divisão da direita, com o grupo bolsonarista de um lado e outra ala tentando se descolar de extremismos e caminhar mais para o centro. Essa divisão, no entanto, é vista como estratégica para o primeiro turno, com a expectativa de união no segundo turno caso enfrentem uma candidatura de esquerda.
O paralelo traçado por Isabel Mega é com o que ocorreu no Chile, onde a direita venceu a esquerda no segundo turno após uma união das diferentes correntes conservadoras. "Eleição é uma coisa no primeiro turno, eleição é outra totalmente diferente no segundo turno", resume a analista sobre a tática em construção.
O fator Tarcísio
Apesar da consolidação da candidatura de Flávio Bolsonaro, há um elemento que pode alterar esse cenário: Tarcísio de Freitas. Mesmo com Flávio sendo o candidato escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, fontes ligadas ao PL indicam que há uma margem mínima para mudanças.
Tarcísio é visto como uma espécie de "reserva estratégica", mantido em sobreaviso caso haja necessidade de alteração nos planos. Se ele voltar ao jogo presidencial, a configuração pode mudar significativamente, já que é considerado o candidato preferido da Faria Lima e poderia atrair apoio mais amplo do centrão.


