Análise: Jogo de Caiado na eleição está em aberto

Segundo Clarissa Oliveira, escolha do partido revela decisão de disputar eleitorado da direita, mas posicionamento do governador de Goiás no tabuleiro eleitoral ainda está em aberto

Da CNN Brasil
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O Partido Social Democrático (PSD) anunciará nesta segunda-feira (30) a escolha do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência da República. A decisão marca um posicionamento estratégico do partido no campo da direita para as próximas eleições.

De acordo com a analista política Clarissa Oliveira, durante o Bastidores CNN desta segunda, a escolha de Caiado evidencia uma decisão deliberada da cúpula do PSD de apresentar um candidato que dispute o eleitorado da direita. No entanto, o papel exato que o governador goiano desempenhará no cenário eleitoral ainda não está definido.

"O jogo de Caiado segue em aberto. Ele tem dois caminhos diferentes que pode seguir nesse movimento", explicou Clarissa. Segundo a analista, o primeiro caminho seria disputar diretamente o eleitorado de direita com Flávio Bolsonaro, posicionando-se como uma alternativa mais ao centro, mas ainda conservadora.

A outra possibilidade seria Caiado atuar como uma espécie de "linha auxiliar" para Bolsonaro, concentrando seus ataques no presidente Lula e em temas como corrupção e segurança pública.

"Se em vez de disputar com Bolsonaro o eleitor de direita, Caiado decide passar a campanha inteira batendo no Lula, isso pode acabar contribuindo para enfraquecer mais o presidente, que já está dando sinais de desgaste", analisou.

Reação de Eduardo Leite

A escolha de Caiado gerou descontentamento por parte do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que também demonstrou interesse na indicação pelo PSD. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Leite afirmou que a escolha de Caiado "acaba não sendo uma terceira via, mas só confirma a polarização".

Segundo Clarissa, o post de Leite expressa clara mágoa com a decisão do partido. "Ele não fez a menor questão de disfarçar o seu descontentamento com essa escolha", comentou a analista.

Nos bastidores, havia um movimento do governador gaúcho junto ao presidente do PSD, Gilberto Kassab, para que ele tivesse a oportunidade de se apresentar como alternativa dentro do partido.

Após a saída de Ratinho Júnior da disputa interna, Leite intensificou sua movimentação política, concedendo várias entrevistas. No entanto, conforme aponta a analista, "fica no ar a ideia de que Eduardo Leite foi preterido, sem ter iguais condições de disputar internamente essa indicação".

A tendência é que Eduardo Leite permaneça em seu cargo como governador do Rio Grande do Sul e foque na sucessão estadual, sem necessariamente tornar-se um apoiador da candidatura de Ronaldo Caiado.

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