Ausente, Moro é chamado de "fujão"; educação é foco em debate no PR

Senador desistiu de participação e afirmou que debates eleitorais se transformaram em “rinha de galo”

Gabriela Boechat, da CNN Brasil
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A ausência do senador Sergio Moro (PL) no primeiro debate entre candidatos ao governo do Paraná foi alvo de críticas dos participantes Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD).

Durante uma discussão sobre investimentos no litoral paranaense, Requião Filho chamou Moro de "fujão" e afirmou que tanto o senador quanto Sandro Alex não conheciam o Estado.

"Me assustou uma coisa aqui. Eu achei que fujão que não conhecia o Paraná. Mas candidato disse que Guaraqueçaba é a única cidade do Paraná sem acesso asfaltado. Candidato, o senhor foi esses dias de helicóptero para Céu Azul e Doutor Ulysses. Não deu uma olhadianha para baixo, não? Doutor Ulysses não tem asfalto para chegar até lá", afirmou.

Sandro Alex também criticou a ausência de Moro. Na abertura do debate, chamou o senador de "covarde" e afirmou que a participação de todos os candidatos seria uma demonstração de respeito ao eleitor.

"Aqui estou eu, porque, para ser governador do Paraná, o homem não pode ser covarde, e eu não sou covarde. Eu represento hoje a direita do Paraná e, para ser direita, tem que ter coragem, porque a gente representa princípios e valores inegociáveis. [...] Eu gostaria que todos estivessem aqui, porque isso é respeito ao eleitor, respeito aos paranaenses. Só o fato de ele não estar presente já mostra que ele não está preparado para comandar esse Estado", afirmou.

Ausência de Moro

Sergio Moro desistiu de participar do primeiro debate das eleições de 2026, organizado e transmitido pela TV Bandeirantes em parceria com a TV Cultura, Gazeta e Jovem Pan, e informou a escolha por meio das redes sociais neste domingo.

Segundo Moro, os debates eleitorais se transformaram em uma "rinha de galo", marcada por brigas e ataques, sem apresentação de propostas ou discussão de temas relevantes.

O senador também afirmou que os demais candidatos, por estarem "desesperados", atuariam de forma combinada para atacá-lo, já que ele lidera as pesquisas.

"Não vou ao debate porque me recuso a entrar nesse jogo combinado. Não tenho medo de debate, não tenho medo de nada. Já enfrentei a corrupção e o crime organizado, mas o que enfrentamos agora é o acordo entre o PT e o PSD", afirmou.

Segundo a última pesquisa Quaest para o governo do Paraná, Moro lidera as intenções de voto, com 39%. Requião Filho aparece em segundo, com 18%. Sandro Alex está em quarto lugar, com 7%, atrás de Rafael Greca (MDB), que tem 12% e também não participará do debate.

Debate

Sem Moro, o debate foi marcado por um duelo entre Requião e Sandro. Os candidatos trocaram acusações sobre educação, privatização da Copel, segurança pública, carga tributária e obras no litoral. Enquanto Sandro defendeu a continuidade das políticas do atual governo, Requião Filho criticou medidas adotadas pela administração e questionou os resultados apresentados pelo adversário.

Um dos primeiros temas discutidos foi a manutenção das escolas cívico-militares no Paraná. Sandro Alex defendeu o modelo e citou o desempenho da educação estadual no (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Segundo ele, as escolas cívico-militares tiveram algumas das maiores notas no índice.

Ao questionar Requião Filho, Sandro perguntou se, caso eleito, ele fecharia as escolas. O candidato do PDT respondeu que não pretende encerrá-las, mas revisar o modelo adotado pela atual gestão.

“Não vamos fechar as escolas, nós vamos rever esse modelo de vocês, que não é um modelo pedagógico, é um modelo de propaganda, que não traz grandes resultados”, afirmou.

Sandro rebateu dizendo que o governo trabalha com metodologia, e não ideologia, e afirmou que há mais de 10 mil famílias aguardando vagas nas escolas cívico-militares. Segundo ele, o modelo deve ser ampliado para atender à demanda. Requião Filho voltou a criticar o formato e afirmou que insistir nas escolas cívico-militares seria uma decisão ideológica.

A privatização da Copel também provocou um dos principais embates do debate. Requião Filho criticou a venda de parte do controle da companhia e afirmou que o processo prejudicou a capacidade do Estado de influenciar a empresa.

“A Copel no Paraná foi privatizada e há questionamentos sobre como isso foi feito, mas isso é problema da PF. Minha preocupação é com quem paga a conta, com a indústria sofrendo”, disse.

O candidato do PDT afirmou ainda que, desde a privatização, a Copel não teria criado novas geradoras de energia e que o aumento do custo da eletricidade prejudica a indústria e o agronegócio. Fez acusações ainda sobre o envolvimento da Copel com instituições alvos de investigação, como o Banco Master. Para ele, deve haver a retomada do controle da companhia pelo Estado.

Sandro Alex rebateu as críticas e afirmou que o maior acionista da Copel continua sendo o povo do Paraná. Segundo ele, o Estado mantém participação na distribuição de dividendos e poder de veto na empresa.

O candidato também defendeu a privatização como uma modernização necessária para a companhia e afirmou que a medida permitiu ampliar a eficiência da empresa e atender ao crescimento econômico do Paraná. Segundo Sandro, propostas de retomada do controle da Copel poderiam provocar insegurança e até um “apagão” no estado.