SP: Caiado pede engajamento de empresários e distribui boletos de R$ 20 mil
Candidato do PSD ao Planalto defendeu reformas, mudanças nas emendas parlamentares e participação de adversários em debates presidenciais

O candidato à Presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, reuniu nesta quinta-feira (13) cerca de 200 empresários em São Paulo em um encontro voltado à apresentação de suas propostas para a eleição de 2026.
O evento foi realizado na sede do Iate Clube de Santos, em Higienópolis (bairro nobre da região central de São Paulo), e contou com nomes dos setores de mineração, financeiro, do agronegócio e da indústria. O encontro foi organizado pelo presidente nacional do PSD e vice na chapa de Caiado, Gilberto Kassab, e pelo ex-ministro Andrea Matarazzo (PSD).
Ao discursar, Caiado afirmou que manifestações de apoio nas redes podem ajudar a ampliar sua candidatura e pediu que os empresários presentes se engajassem na campanha.
“Cada postagem que vocês fazem aí é uma revolução enorme. (…) Se continuar esse governo, vocês sabem onde é que esse Brasil vai caminhar. É pro calote da dívida pública, é pro confisco”, afirmou.
Ao final do encontro, foram distribuídos aos participantes envelopes com material para contribuição à campanha. Cada envelope continha cinco boletos, no valor de R$ 20 mil cada. O documento informa que as doações podem ser feitas mais de uma vez pelo mesmo doador, desde que respeitado o limite legal de 10% da renda declarada no ano anterior.
O material entregue aos empresários também orienta que a contribuição seja feita por pessoa física, a partir de conta e CPF do próprio doador.
Os boletos trazem identificação individual e instruções para que o contribuinte acesse uma página por QR Code ou pelo navegador e, depois do preenchimento dos dados, realize o pagamento via Pix.
Entre os participantes estavam a socialite carioca Narcisa Tamborindeguy, o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta (governo Bolsonaro) e Aldo Rebelo (Lula e Dilma), que colaboram com o plano de governo de Caiado, o ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Nelson Jobim e o deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR).
Durante o discurso, Caiado defendeu uma mudança na relação entre Executivo e Legislativo e afirmou que pretende enfrentar o que chamou de “desordem institucional” envolvendo as emendas parlamentares.
Segundo o candidato, um eventual governo dele terá de estabelecer uma relação de diálogo com o Congresso, sem permitir uma sobreposição entre os Poderes.
“Vou mostrar aos presidentes do Legislativo que o projeto eleito é o do presidente, não são 594 projetos de parlamentares eleitos”, afirmou.
Caiado também disse que pretende governar por meio de negociação com os demais Poderes. “Você governa dialogando com os poderes pela paz, e não criticando em entrevistas na imprensa”, declarou.
Críticas a Lula e Flávio
O candidato direcionou diversas críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), seus principais adversários na disputa presidencial, ao falar sobre a participação dos candidatos em debates e entrevistas.
“Você tem condição de governar o país quando você não precisa cuidar de problema pessoal ou de família”, afirmou.
Em outro momento, disse que a ausência de candidatos em debates e entrevistas demonstraria falta de disposição para se expor publicamente.
“Quando a pessoa não quer ir ao debate, quando não há coragem de se apresentar nem em entrevista, é porque tem muito a esconder”, declarou.
Caiado chegou a defender uma mudança na legislação eleitoral para impedir que candidatos que não participem de determinados debates e entrevistas possam disputar a eleição.
Propostas econômicas
Na área econômica, o candidato voltou a defender a realização de reformas e afirmou que pretende apresentar as medidas no primeiro dia de um eventual governo, em 5 de janeiro. Entre as propostas, citou reformas administrativa e política, a adoção do voto distrital misto e mudanças na legislação trabalhista.
Caiado também afirmou que pretende avaliar a sustentabilidade do sistema previdenciário.
O candidato comparou a situação econômica atual com o cenário enfrentado pelo governo Dilma Rousseff em 2015 e voltou a criticar o arcabouço fiscal. Também questionou o uso de créditos extraordinários pelo governo Lula.
Na segurança pública, o candidato voltou a atacar o governo federal e afirmou que o PT é conivente com o narcotráfico.
As falas foram recebidas com aplausos em diferentes momentos do discurso. Entre os trechos que provocaram reação da plateia estiveram as críticas ao governo Lula, ao PT e aos adversários que não participam de debates.


