À CNN, Gabriel Souza fala de apoio de Leite, privatizações e dívida do RS
Postulante do MDB é o primeiro sabatinado na série de conversas com concorrentes ao Palácio Piratini
A CNN Brasil entrevistou nesta segunda-feira (7) o candidato ao governo do Rio Grande do Sul Gabriel Souza (MDB). O atual vice-governador foi o primeiro sabatinado na série de conversas com os concorrentes ao governo gaúcho, que ocorre até o dia 14 de setembro.
O segundo no comando do governo do Rio Grande do Sul recebe apoio do atual governador Eduardo Leite (PSD) para o pleito deste ano, com a utilização das entregas da gestão em vigor como propaganda de continuidade no estado, apesar de afirmar que não realizará "uma terceira edição" do atual governo.
"Eu quero manter as coisas boas que o governo fez. Agora é um novo governo, né? Não farei o governo 'uma terceira edição desse governo', farei uma primeira edição do governo Gabriel Souza", disse.
Dentre os bons feitos da atual gestão, o político apontou a responsabilidade fiscal, além do enfrentamento às crises climáticas e investimentos na prevenção de novos eventos climáticos extremos.
Já nos aspectos de novas propostas, Gabriel aponta o aumento do ensino técnico no estado dentro das escolas de ensino médio em tempo integral, além do investimento no SUS Gaúcho e na ampliação das políticas de combate à violência contra a mulher.
Além disso, o médico veterinário buscou se apresentar como uma alternativa ao cenário de polarização no estado, com distanciamento do candidato da chapa bolsonarista no estado, Luciano Zucco (PL), e do nome apoiado pelo petismo, Juliana Brizola (PDT).
Durante a entrevista, o candidato aproveitou para criticar a polarização e criticou seus rivais, ao defender ser o "único capaz" de conversar com o próximo presidente, independentemente de quem seja eleito. Durante o atual governo, ele destacou o bom diálogo com o governo federal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Dívida pública do RS
Ao ser questionado sobre a renegociação de dívidas do estado, o candidato defendeu tal diálogo como essencial nas negociações. Atualmente, o RS tem um débito público na casa dos R$ 100 bilhões com a União e busca acertar um novo acordo com juros menores.
"Eu tenho condições de conversar com quem quer que seja, tanto é verdade que conversamos, né, durante o governo atual, com o governo federal atual, e avançamos no sentido de renegociar a dívida do estado com a União", disse.
Além do diálogo com o Executivo federal, o Gabriel Souza apontou uma reestruturação tanto do déficit previdenciário assim como a análise dos precatórios no estado para melhoria da saúde financeira gaúcha.
Algumas das medidas apresentadas pelo candidato são a adoção de programas como o Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados) do governo federal, e a prorrogação do Funrigs (Fundo do Plano Rio Grande).
No entanto, mesmo com um trabalho focado em alterar as dívidas do estado, o candidato aponta que, em questão do déficit previdenciário e atuarial (projeção futura), a situação pode persistir por um período futuro. Em sua avaliação, "qualquer erro nessa questão pode prejudicar novamente o equilíbrio financeiro".
"É realmente um assunto que todo governador tem que saber com muito detalhe, porque qualquer erro nessa questão pode prejudicar novamente o equilíbrio financeiro que o estado conquistou a duras penas", completou.
Privatizações no estado
Outro ponto abordado pelo candidato foi a série de privatizações realizadas no Rio Grande do Sul, como a da Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento) e a da CEEE (Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica).
Segundo Gabriel Souza, tais processos foram necessários, uma vez que o estado não possuía capacidade financeira de sustentar as estruturas de distribuição. Além disso, na questão do saneamento básico, foi necessária a privatização para que se cumpram as exigências do marco legal, que prevê a universalização do serviço até 2033.
"Então tudo isso é um recurso que o estado não dispunha para aplicar na empresa como proprietário dela. Foi por isso que se tomou a decisão da privatização", justificou.
No entanto, na contramão da agenda de privatizações feitas durante a atual gestão, Gabriel se contrapôs a uma venda do Banrisul (Banco do Estado do Rio Grande do Sul). Segundo ele, a privatização não se faz necessária, pois o banco se encontra em um "cenário diferente".
"Ele teve o maior lucro da história no ano passado. No ano em que teve os escândalos aí do Banco Master, BRB envolvido, que também é um banco público, nós tivemos [lucro] aqui. Temos muito orgulho da gestão do Banrisul. O Banrisul não se envolveu de jeito nenhum em nenhum escândalo; ao contrário, tem apresentado ótimos resultados", disse.
Desta forma, ele aposta em uma manutenção dos bons resultados do ente a partir de uma diretoria técnica, o que traz também dividendos ao Estado e aos acionistas. Também foi apontado que, dado tais repasses, as verbas seriam destinadas à elaboração de políticas públicas em apoio ao microempreendedor, ao agronegócio e à indústria do estado.
Entrevistas com os candidatos ao governo do RS
Além de Gabriel Souza, a CNN Brasil convidou para entrevistas nesta semana Juliana Brizola (PDT), Marcelo Maranata (PSDB) e Luciano Zucco (PL). As sabatinas são transmitidas pelo YouTube da CNN Brasil às 13h30 e exibidas na TV às 23h30.
A seleção dos entrevistados tem como referência os candidatos mais bem colocados, segundo os dados do Índice CNN, agregador de pesquisas desenvolvido em parceria com o Ipespe Analítica.
Confira a agenda de entrevistas:
- Gabriel Souza (MDB): segunda-feira (7);
- Marcelo Maranata (PSDB): quarta-feira (9);
- Luciano Zucco (PL): quinta-feira (10);
- Juliana Brizola (PDT): segunda-feira (14).
A cobertura completa da CNN Brasil nas eleições de 2026 também contará com entrevistas de candidatos à Presidência no programa CNN Prime Time, comandado por Márcio Gomes.
*Sob supervisão de Lucas Schroeder


