À CNN, Raquel Lyra fala de relação com Lula, desafios e propostas para PE

Atual governadora é a segunda sabatinada na série de conversas com os concorrentes ao Palácio do Campo das Princesas

Filipe Pereira, da CNN Brasil*, São Paulo
Compartilhar matéria

A CNN Brasil entrevistou nesta quarta-feira (16) a candidata à reeleição ao governo de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD). A atual mandatária foi a segunda convidada da série de sabatinas promovidas pelo canal nesta semana.

Filha do ex-prefeito de Caruaru e ex-governador João Lyra Filho, Raquel é formada em Direito, foi deputada estadual por Pernambuco entre 2011 e 2016, além de ter sido prefeita de Caruaru de 2017 a 2022.

Em 2023, a candidata assumiu o comando do governo pernambucano, sendo a primeira mulher a chefiar o estado. Na eleição deste ano, Raquel busca apresentar os feitos de sua gestão como bandeira para ser reconduzida ao posto.

Durante a entrevista, a governadora falou da recuperação do estado, principalmente no setor econômico. Em sua avaliação, outros pontos positivos de seu mandato foram as entregas de corredores e terminais de ônibus, habitações e reforço na segurança pública.

Segundo Raquel, "pegamos a casa desarrumada", em referência à situação do estado ao assumir o governo. A partir de uma mudança do cenário, a política falou em viver "os quatro melhores anos da nossa história".

"A gente conseguiu fazer o estado voltar a crescer. Botamos de pé em obras públicas que são estruturadoras, da concessão dos serviços da nossa companhia de saneamento. E o que é que aponta para o futuro em Pernambuco? Que nós vamos viver os melhores quatro anos da nossa história. Mas não é um discurso aqui para que a gente lacre na internet. Esse é o discurso de quem preparou a casa, de quem preparou o terreno", declarou.

Ainda segundo a governadora, "as pessoas voltaram a acreditar em Pernambuco" e mencionou as taxas de aprovação de seu governo como diferenciais para o eleitor ponderar.

Relação com Lula

Durante suas falas, a governadora exaltou o trabalho em conjunto com o governo federal e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Raquel mencionou diversas entregas, como obras de infraestrutura e habitação, que foram possíveis pela parceria, além de elogiar a abertura do Planalto para ouvir as solicitações estaduais.

"Eu gostaria de chamar isso de trabalho em conjunto. Eu falo do presidente Lula e do governo federal porque o governo anterior de Pernambuco [de Paulo Câmara] brigou com três presidentes da República. Brigou com Dilma, brigou com Temer e com o Bolsonaro. Pernambuco deixou de ter investimentos importantes e teve perdas importantes pela incapacidade de construção de pontes e de diálogo", disse.

Apesar de uma boa relação com o petista, o governante compõe a chapa do concorrente de Raquel no estado, o ex-prefeito de Recife João Campos (PSB). Mesmo com o apoio a João, o presidente ainda não realizou agendas públicas de campanha em Pernambuco.

Ao ser questionada sobre o voto no presidente no pleito deste ano — uma vez que o próprio PSD (Partido Social Democrático) possui candidato próprio, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado —, a mandatária evitou mencionar um nome e defendeu uma postura "pernambuquista", que coloca o estado à frente.

"Então é sobre isso que eu falo, é sobre ser pernambuquista, colocar Pernambuco em primeiro lugar, acima de qualquer discussão partidária, mas muito comprometida com aquilo que deve ser a melhoria da condição de vida das pessoas onde elas vivem", completou.

Propostas e desafios

Dentre as propostas para um possível segundo mandato, a governadora mencionou a entrega de moradias à população, com o fim das casas de palafitas, imóveis de madeira suspensos acima do nível das águas.

Outro ponto citado foi o investimento em educação, com a universalização do ensino integral para as escolas de nível fundamental e médio, além da entrega de creches. A governadora também falou da expansão do ensino técnico no estado, com a oferta de vagas e novas instituições de ensino.

Já no âmbito da saúde pública, a governadora falou da importância da descentralização do atendimento, com a expansão da rede para além dos centros urbanos e abertura de novos leitos. Raquel deu destaque ao atendimento à mulher, com o investimento em hospitais especializados neste público, com o maior acesso e diminuindo as chances de complicações, como a mortalidade infantil.

"Isso só se faz porque a gente está cuidando da mulher gestante desde cedo, através do colo de mãe, doando ambulância para chegar ao hospital e garantindo a vaga do hospital com construção de novos hospitais e abertura de novos leitos", disse.

No aspecto da segurança pública, a governadora mencionou os investimentos já feitos no estado, mas falou de alguns desafios, como a ampliação de políticas de combate à violência contra a mulher.

Segundo a governante, novas delegacias 24 horas, além de espaço de acolhimento, serão criadas para darem suporte, além da aplicação de tornozeleira eletrônica nos agressores e alarmes para as mulheres acionarem a polícia em caso de descumprimento de medidas restritivas.

Ainda na segurança, destacou-se a necessidade de um aumento nas unidades prisionais que possam gerar isolamento dos detentos, assim como um combate enfático ao crime organizado. Para mudar o cenário, ela defendeu uma integração entre governos federal e estadual para uma diminuição da atuação das facções no estado.

Entrevistas com os candidatos ao governo do PE

Além de Raquel Lyra, a CNN Brasil entrevistou o também candidato João Campos (PSB). As sabatinas foram transmitidas pelo YouTube da CNN Brasil às 13h30 e exibidas na TV às 23h30.

A seleção dos entrevistados tem como referência os candidatos mais bem colocados, segundo os dados do Índice CNN, agregador de pesquisas desenvolvido em parceria com o Ipespe Analítica.

Confira a agenda de entrevistas:

  • João Campos (PSB): terça-feira (15);
  • Raquel Lyra (PSD): quarta-feira (16).

*Sob supervisão de João Ker